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22/08/2019 20:57 -03

Bolsonaro sobre Flávio: 'O que tinha sobre meu filho, a Receita já fez'

Presidente nega intervenção no órgão de fiscalização e na Polícia Federal em sua live semanal e volta a dizer que tem poder para isso.

EVARISTO SA via Getty Images

Após uma semana de polêmica em torno das interferências de Jair Bolsonaro na Receita Federal, o presidente usou sua live semanal do Facebook nesta quinta-feira (22) para, mais uma vez, defender sua postura, negar intromissão e, dessa vez, falou até mesmo de seu primogênito que, para o pai, tem “sofrido uma devassa”. 

“Me acusam de interferir na Receita para beneficiar familiares. O que tinha sobre o meu filho [Flávio], a Receita já fez”, afirmou Bolsonaro.

O presidente abordou o assunto ao tratar “da novela do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)”, que passou a se chamar Unidade de Inteligência Financeira (UIF) após sair do guarda-chuva do Ministério da Economia e passar para as mãos do Banco Central. 

“Quebraram sigilo, passaram para a frente as informações com sigilo quebrado e causaram um transtorno enorme para minha família. Quem não deve, não teme. Mas vocês sabem como alguns setores do Ministério Público, alguns setores, agem no Brasil, querem te atingir de uma forma ou de outra”, disse o presidente. 

Trocas políticas 

Na segunda (19), foi anunciada a substituição do subsecretário-geral do órgão, José Paulo Ramos Fachada Martins da Silva pelo auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto, da Delegacia da Receita Federal em Recife.

Mesmo com o mal-estar gerado, a ameaça de exonerar o superintendente da instituição no Rio de Janeiro, Mário Dehon, o delegado da alfândega do porto de Itaguaí, José Alex de Oliveira, e a chefe da Delegacia da Receita da Barra da Tijuca, Adriana Trilles, deu continuidade ao clima pesado no órgão. 

Contra a interferência, o Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco) ameaçou uma demissão coletiva, o que colocaria em risco cerca de R$ 1,5 trilhão de arrecadação ao ano até que o governo promovesse novos chefes e fizesse a máquina pública voltar a funcionar. 

Para o presidente, porém, não há nada fora do lugar. “Fala-se muito em interferência. Toda vez que troca o governo, há troca de superintendentes, de equipe”, acrescentou durante a live desta quinta. 

Polícia Federal

Semelhante insatisfação tem ocorrido na Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde semana passada, Jair Bolsonaro tem falando em seu “poder” para trocar o diretor-geral do órgão. 

“O diretor-geral quem nomeia sou eu. Se tiver quem mudar, a gente muda. A Receita [Federal] é a mesma coisa. Se eu não puder indicar ou sugerir um delegado da Polícia Federal, para que estou aqui?”

Na quinta-feira (15), Bolsonaro protagonizou uma queda de braço com a PF ao anunciar a troca do superintendente da PF do Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, cuja substituição por Carlos Henrique Oliveira Sousa já era negociada internamente por vontade dele próprio.