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19/03/2019 09:13 -03 | Atualizado 19/03/2019 10:21 -03

Bolsonaro diz, em entrevista, que 'maioria dos imigrantes não tem boas intenções'

À Fox News, presidente, que se encontra hoje com Trump, elogiou a construção do muro na fronteira com o México.

Reprodução/ Fox News
Jair Bolsonaro, durante entrevista à rede de TV conservadora Fox News.

A poucas horas de ser recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca, Jair Bolsonaroelogiou, à rede de TV conservadora Fox News, a política migratória do anfitrião, dizendo ser favorável à construção do muro na fronteira com o México e que “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”.

“Concordamos com a proposta sobre o muro”, disse Bolsonaro, na entrevista de pouco menos de 10 minutos, exibida na noite de segunda-feira (18). “A maioria dos imigrantes não tem boas intenções, nem quer o melhor ou fazer o bem ao povo americano.”

O brasileiro ainda afirmou que a política imigratória de Trump está ligada, de certa forma, à manutenção da democracia na América do Sul. E criticou a França, que deixou as fronteiras “abertas para receber refugiados sem qualquer tipo de seleção ou de filtro”.

“E ter fronteiras abertas em minha visão é uma visão absolutamente ruim. Não é uma decisão nada boa.”

Dois dias antes, seu filho, o deputado e presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro, já havia dito que brasileiros em situação ilegal nos EUA são “uma vergonha” para o Brasil. Eduardo ainda sugeriu que o governo americano estava certo em não liberar a isenção de visto de turismo aos brasileiros - já que “várias pessoas entrariam nos EUA de maneira ilegal e ilegalmente permaneceriam lá”.

Na segunda-feira (18), numa decisão unilateral, o governo Bolsonaro isentou de visto de turismo os cidadãos dos Estados Unidos - e também de Japão, Canadá e Austrália. Brasileiros continuam obrigados a passar pelo processo de visto para os EUA, e nem mesmo a inclusão do Brasil no chamado “Global Entry”, que agiliza a entrada no país de viajantes frequentes, ocorreu.

Segundo estimativa do Itamaraty de 2017, há cerca de 1,3 milhão de brasileiros vivendo nos Estados Unidos - a maioria na Flórida e em Massachusetts. É a 19ª maior comunidade imigrante nos Estados Unidos.

Um levantamento feito pelos pesquisadores brasileiros Álvaro de Castro e Lima e Alanni Barbosa de Castro para o livro “Brasileiros nos Estados Unidos: Meio Século Refazendo a América (1960-2010)”, a partir de dados do governo americano, mostra que a comunidade brasileira nos EUA é mais qualificada e está mais integrada que a média dos outros imigrantes no país: 71% deles trabalham, 83% falam inglês bem ou muito bem e 37% deles se naturalizaram.

 

Venezuela e Marielle

Durante a entrevista, Bolsonaro tergiversou ao ser questionado sobre a possibilidade de instalação de uma base militar americana em território brasileiro. A ideia havia sido admitida pelo próprio Bolsonaro pouco depois de sua posse e confirmada pelo chanceler Ernesto Araújo, mas irritou a cúpula militar. Depois o governo negou haver essa possibilidade.

Sobre Venezuela, o presidente disse que o Brasil enfrenta “algumas limitações” para pensar em uma intervenção militar no país vizinho. “Trump mencionou todas as possibilidades. Nós não podemos pensar em todas as possibilidades”, disse.

“Mas tudo o que for realisticamente possível, na frente diplomática, de modo a ajudar os EUA a superar esta questão, nós faremos”, completou.

A questão deve ser um dos principais temas do encontro entre Bolsonaro e Trump, na Casa Branca, nesta terça-feira (19).

O brasileiro foi questionado também pela apresentadora sobre suas declarações polêmicas em relação a mulheres e homossexuais. “Não tenho nada contra homossexuais, nem contra mulheres, e não sou xenófobo. Mas quero ter minha casa em ordem. A definição de família, para mim, é a que está na Bíblia”, disse, completando ser contra levar para “crianças de 5 anos nas escolas” a questão da homossexualidade.

Ele ainda afirmou que se fosse homofóbico, misógino e xenófobo “não teria sido eleito” e creditou tudo às “fake news”. “Mas agora a população aprendeu a usar as redes sociais, e ninguém confia mais na imprensa mainstream”, afirmou, criticando mais uma vez a mídia.  

Bolsonaro foi ainda perguntado sobre a publicação, em seu perfil oficial no Twitter, de um vídeo obsceno durante o carnaval. Ele afirmou que o vídeo já estava circulando e que ele só quis “mostrar como o Carnaval estava acontecendo”. 

Sobre Marielle Franco, a jornalista questionou alegações de um possível vínculo entre sua família e os assassinos da vereadora.

Bolsonaro respondeu que “parte dos oficiais da polícia do Rio de Janeiro são grandes amigos” dele. “Por coincidência, um desses suspeitos de ter matado a Marielle não era na verdade vizinho meu, mas morava do outro lado de uma outra rua [do condomínio]​. Só descobri que ele vivia lá depois de ver as notícias.”