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19/03/2019 18:20 -03 | Atualizado 19/03/2019 18:31 -03

Bolsonaro recua e pede perdão por ter afirmado que 'maioria dos imigrantes não tem boas intenções'

Sobre intervenção na Venezuela, o presidente disse que é diplomacia em primeiro lugar, até as últimas consequências.

Jonathan Ernst / Reuters
"Foi um equívoco meu", disse Bolsonaro sobre ter afirmado que "maioria dos imigrantes não tem boas intenções".

O presidente Jair Bolsonarovoltou atrás da declaração que fez em entrevista à Fox News de que a “maioria dos imigrantes não tem boas intenções”. Em entrevista coletiva a jornalistas que acompanham sua agenda em Washington, Bolsonaro pediu desculpas. “Foi um equívoco meu. A menor parte não tem boas intenções. Foi um ato falho que cometi no dia de ontem e peço perdão.”

Foi um equívoco meu. A menor parte não tem boas intenções. Foi um ato falho que cometi no dia de ontem e peço perdão.Jair Bolsonaro

Ao falar sobre a dispensa de visto para turistas dos EUA, ele também afirmou que não vê americano indo para o Brasil “para ganhar estabilidade via CLT”. “O contrário para cá existe, sem nenhuma garantia”.

Ele também rebateu a crítica de que a decisão foi unilateral, sem nenhuma contrapartida dos EUA. “Alguém tem de ceder em primeiro lugar. Creio que podemos ganhar muito no turismo, mas sei que os EUA estão muito voltados para questão da segurança também.”

No sábado, o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), sugeriu que os EUA estão certos em não liberar a isenção de visto aos brasileiros.

“Será que estou falando um grande absurdo ao dizer que, sem a necessidade de visto, várias pessoas entrariam nos EUA de maneira ilegal e ilegalmente permaneceriam lá? Acredito que não”, disse.

“A pergunta que faço é a seguinte: quantos americanos vão vir morar ilegalmente no Brasil com essa brecha? E se os EUA permitirem que o brasileiro entre lá sem visto? Quantos brasileiros vão se passar por turista para vir morar ilegalmente aqui?”, afirmou, em evento em Washington no sábado (16). Bolsonaro não estava presente, ele chegou aos EUA no domingo (17).

Venezuela

Antes o presidente havia concedido uma entrevista ao lado do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Na ocasião, ele deixou em aberto a possibilidade de apoiar uma ação militar no país vizinho. Aos jornalistas nesta outra entrevista, entretanto, Bolsonaro frisou o diálogo.

Alex Wong via Getty Images
Bolsonaro concedeu sozinho uma coletiva após ter falado junto com o presidente Donald Trump.

“Diplomacia em primeiro lugar, até as últimas consequências. Trump repetiu que todas as hipótese estão na mesa. Sobre o que ele falou comigo reservadamente, me desculpem, não posso falar com vocês.” 

Diplomacia em primeiro lugar, até as últimas consequências.Jair Bolsonaro

Foi a primeira vez em que o Brasil não se posicionou enfaticamente contra a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

Em nota, a coordenadora de projetos da ONG Conectas, Camila Asano, destacou que na segunda (18) o porta-voz do governo reiterou que o Brasil não apoia.

″É grave quando o chefe de Estado brasileiro omite a posição oficial do país embora ela já seja pública só porque está diante de um mandatário de um país potência como os EUA. Se a preocupação é com o povo da Venezuela, a solução militar deve ser descartada por seus efeitos nefastos.”

Bolsonaro também voltou a destacar admiração por Trump e a enfatizar que a China continuará sendo um grande parceiro do Brasil. “Mas não vamos fazer comércio com base na ideologia”, pontuou.