NOTÍCIAS
17/03/2020 14:37 -03 | Atualizado 17/03/2020 15:06 -03

Bolsonaro desdenha de coronavírus e diz que vai fazer ‘festinha’ de aniversário

“Eu faço 65 daqui a quatro dias. Vai ter uma festinha tradicional aqui. Até porque eu faço aniversário dia 21e minha esposa dia 22. São dois dias de festa aqui.”

NurPhoto via Getty Images
Presidente tem minimizado diariamente os impactos do coronavírus. 

Em uma entrevista de menos de 10 minutos para a rádio Tupi, do Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro usou a palavra “histeria” para se referir ao coronavírus cinco vezes. Em mais um movimento que demonstra o desdém com que vem tratando a covid-19, que fez sua primeira vítima no Brasil hoje, disse que fará uma “festinha” para comemorar o seu aniversário e da primeira-dama, Michelle, no fim de semana. 

“Eu faço 65 daqui a quatro dias. Vai ter uma festinha tradicional aqui. Até porque eu faço aniversário dia 21 (sábado) e minha esposa dia 22 (domingo). São dois dias de festa aqui. Emenda”, afirmou.

O mandatário tem se apoiado em fatores econômicos para tecer crítica às medidas preventivas que vêm sendo adotadas.

“A economia estava indo bem, fizemos algumas reformas. Números demonstravam confiança no Brasil, questão de risco brasil. Esse vírus trouxe certa histeria e alguns governadores, no meu entender, estão tomando medidas que vão prejudicar muito a nossa economia.”

Ele se refere, especialmente, às determinações de proibir eventos em que há aglomerações e, como consequência, levam ao fechamento de locais que podem reunir grande número de pessoas. 

“Estou seguindo o protocolo do Ministério da Saúde. Não estou dizendo que tem que ter, ou que não tem que ter. Não é a minha vontade que tem que se impor só porque eu sou presidente. Trato com todos os ministros. Dou minhas observações, que vem de conversas com o povo, de mídias sociais”, acrescentou. 

Apesar da afirmação de que segue as orientações, desde sexta-feira (13) Bolsonaro tem quebrado diariamente os protocolos impostos por seu governo. Como teve contato com uma pessoa que testou positivo para coronavírus, o secretário de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wajngarten, o presidente deveria estar em isolamento. Acontece que não apenas na sexta, como também na segunda (16) e também nesta terça, o presidente foi ao Planalto. 

No domingo (15), ele deixou o Palácio da Alvorada e cumprimentou apoiadores que participavam da manifestação em Brasília. 

O presidente realizou um segundo teste nesta terça (17), após o primeiro resultado ter sido negativo, segundo divulgou em suas redes sociais. 

“O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo e uma nação só estará livre do vírus quando um certo número de pessoas for infectadas e criarem anticorpos, que passa a ser barreira para não infectar quem não for infectada ainda”, destacou o presidente.

Esta não é a primeira vez que Bolsonaro fala em “histeria” ao tratar do coronavírus. Em entrevista ontem para a rádio Bandeirantes, o mandatário falou em “superdimensionamento”. 

Na semana passada, quando ainda estava nos Estados Unidos, disse que a covid-19 era “uma fantasia”. 

Nos bastidores do governo, a informação é que o presidente está enciumado com o protagonismo que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem tido à frente do caso. Desde as primeiras suspeitas, o ministro tem feito coletivas de imprensa recorrentes, que se tornaram diárias após a confirmação do primeiro caso no Brasil, em 25 de fevereiro. 

O Palácio do Planalto só instalou um comitê de crise interministerial nesta segunda, sob coordenação da Casa Civil. 

Em todo o mundo, já são mais de 190 mil pessoas contaminadas. No Brasil, já o número passa de 300.