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16/03/2020 16:43 -03

Bolsonaro: 'Se me contaminei, isso é responsabilidade minha, e ninguém tem nada a ver com isso'

Presidente negou ter convocado manifestações e disse que tinha obrigação moral de falar com apoiadores em frente ao Planalto no domingo.

SERGIO LIMA via Getty Images
Bolsonaro rompeu isolamento e cumprimentou apoiadores em frente ao Palácio do Planalto no domingo. 

Depois de ser acusado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de fazer “pouco caso” da pandemia de coronavírus, Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (16) que “seria um golpe se isolar o chefe do Executivo por interesses outros que não os republicanos”. 

A declaração de Bolsonaro foi dada em entrevista à Rádio Bandeirantes, de São Paulo, em resposta às críticas tanto de Maia quanto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre sua aparição, neste domingo (15), no Palácio do Planalto durante o protesto que ocorreu em Brasília. 

O mandatário, que fez testes para coronavírus semana passada após a confirmação de que Fabio Wajngarten (secretário de Comunicação da Presidência da República) testou positivo para o vírus, cumprimentou brasileiros com abraços e apertos de mãos, além de chegar a trocar objetos com apoiadores. Nesta terça (17), o presidente será submetido a mais um teste e, em mais oito dias, a um terceiro.

“Tenho obrigação moral de saudar o povo que estava lá no Palácio do Planalto. Se eu me contaminei, isso é responsabilidade minha e ninguém tem nada a ver com isso”, afirmou o presidente. Mais à frente na conversa, acrescentou: “Se eu tiver que sair às ruas, eu saio às ruas. Não vou convocar, continuo achando que tem que evitar ajuntamento de pessoas, mas o vírus é uma realidade. Se eu tiver o vírus é outro procedimento, mas eu não posso é viver uma neura, uma psicose e ficar dentro de casa.” 

Ao ser questionado se estava arrependido de ter ido ao encontro de populares, disse que não cabe a “chefe de Estado arrependimento” e afirmou que qualquer um ao lado do jornalista também poderia estar infectado. “Como as pessoas que estão aí do seu lado chegaram no serviço? De metrô, de trem, de ônibus? Não vamos superdimensionar a questão.”

O presidente afirmou que se está tentando colocar a culpa nele por uma possível expansão do vírus e há, por trás disso, um “jogo de poder”. 

“Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse, parte na verdade dessas lideranças políticas? Se afundar economia, acaba qualquer governo, acaba o meu governo. É uma luta de poder. Há por parte de alguns irresponsabilidade nisso aí, de querer arranjar um culpado pela disseminação do vírus no País, e eles posando como heróis, como mártires. Está havendo um perigo, existe sim perigo, mas está havendo um superdimensionamento nesta questão. Não podemos parar a economia.”

SERGIO LIMA via Getty Images
Presidente negou, na entrevista, ter convocado protestos, mas no dia 7 de março disse: "participem". 

Bolsonaro também negou que tenha feito alguma convocação para o protesto Acontece que no sábado, dia 7 de março, em uma escala em Roraima na viagem de ida para os Estados Unidos, Jair Bolsonaro fez um chamado à população para este dia 15 de março. 

“Não é fácil. Já levei ‘facada no pescoço’ dentro do meu gabinete por pessoas que só pensam nelas, não pensam no Brasil. Essa é uma grande realidade. Dia 15 agora tem um movimento de rua espontâneo. É um movimento espontâneo e o político que tem medo de movimentos de rua não serve para ser político. Então, participem”, afirmou na ocasião, alegando ainda que não se tratavam de manifestações contra o Legislativo ou o Judiciário: ”É um movimento pró-Brasil que quer mostrar para todos nós, presidente, Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário que quem dá o norte para o Brasil é a população.”

Ao longo de 50 minutos de entrevista, o presidente repetiu várias vezes que há medidas sendo tomadas que são extremadas e citou exemplos: “Podemos ter problemas sim, pessoas com deficiência e com mais idade podem vir a óbito, até porque uma gripe qualquer leva a óbito.”

Questionado se autorizaria medidas drásticas, como as tomadas por outros países, que têm fechados suas fronteiras, deu a entender que isso não é algo viável no Brasil. “Não é assim que funciona. Vou sugerir que se faça exame do lado [no caso dos países de fronteira seca] e quem estiver com sintoma, fica [não passa para o Brasil]. Não podemos impedir que todo mundo desses países que quiserem vir pra cá, não passem . Você não tem esse poder de fechar fronteira, na lei de migração. Hoje em dia o Brasil é um país sem fronteiras”, disse o presidente.  

Jair Bolsonaro criticou um ato do Ministério da Saúde de semana passada, que acabou revogado no fim de semana, sobre a chegada e saída de cruzeiros marítimos. 

“Não podem algumas autoridades começar a proibir isso ou aquilo. Há dois dias tive um problema na Saúde. Proibiram os cruzeiros de aportar aqui. Tinha navio que faltavam horas para chegar no porto de Santos. Outros que faltavam horas para sair do porto do Rio. Como você toma medida desta maneira? Você não pode fazer isso. Afinal de contas está havendo uma histeria. Estamos preocupados; agora, se isso vier a ocorrer no Brasil, reflete lá na frente”, completou o mandatário.

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