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30/10/2019 14:53 -03 | Atualizado 30/10/2019 20:32 -03

Equipe e filhos defendem Bolsonaro e atacam Globo após menção em caso Marielle

Redes sociais foram usadas pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, ministros e filhos do presidente desde reportagem do JN.

Satish Kumar Subramani / Reuters
Presidente Bolsonaro sobe tom com TV Globo.

A menção ao presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investiga a morte de Marielle Franco mobilizou sua equipe e, claro, seus filhos, com manifestações de apoio ao mandatário e também de ataques à TV Globo.

O caso, revelado pelo Jornal Nacional, diz respeito ao depoimento do porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na zona oeste do Rio de Janeiro, que afirmou ter interfonado para a casa 58, de Bolsonaro, e falado com o “Seu Jair” sobre a entrada de um dos acusados da morte da vereadora. Contudo, segundo o JN, Elcio Queiroz foi à residência 65, de Ronnie Lessa, acusado de ter disparado em Marielle.

Uma das primeiras reações foi do próprio presidente, que foi ao Facebook fazer uma live para se defender e desmentir a reportagem.

Chamou de “patifaria” e disse que a TV Globo quer “prender um filho” seu, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado pelo Ministério Público do Rio pelo esquema de rachadinha quando deputado estadual.   

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tem postado inúmeros comentários atacando a emissora por conta da reportagem veiculada na terça-feira (29) utilizando a hashtag #GloboLixo — ele inclusive comemora por estar entre os trending topics do Twitter nesta quarta-feira (30). 

Entre os posts, o 03 questiona o profissionalismo da TV Globo e diz que poderiam ter “olhado o Twitter do JB no dia 14/MAR/18”. “Ou consultado o registro de presença na Câmara.” A própria matéria, porém, faz menção a essas informações.

Outro filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), postou em seu Twitter vídeos contradizendo o JN a partir do acesso, segundo ele, do sistema da portaria do condomínio Vivendas da Barra, no qual também possui uma casa. Ele completa afirmando haver proposital tentativa de “desencadear movimentos semelhantes” no Brasil às manifestações que ocorrem em países da América Latina. 

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou em suas redes sociais que a informação constitui um “ataque” a Bolsonaro e ocorre justamente em um momento em que ele “consegue mercados e investimentos para o Brasil”.  

Para o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, a reportagem do JN é “tendenciosa”, deturpa fatos e cria “suspeitas infundadas”. “A matéria de ontem no JN sobre a morte da Marielle envergonha a História que esse Jornal criou ao longo de 50 anos !! Matéria claramente tendenciosa e deturpando fatos e criando suspeitas infundadas !! A direção da TV Globo deveria ter mais responsabilidade com sua História!!!”, escreveu. 

No início da tarde, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, encaminhou ao procurador-Geral da República, Augusto Aras, um pedido para que, ao lado da Polícia Federal, conduza as investigações. Levantou suspeitas sobre as investigações. A PGR acolheu o pedido.

Em seu Twitter, contudo, Moro se limitou a compartilhar o link da página da pasta que comanda, em que é possível acessar o documento com a solicitação à PGR. 

A Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, comparou a reportagem do Jornal Nacional com a facada da qual Jair Bolsonaro foi vítima em setembro do ano passado durante a campanha eleitoral:

Também o chefe do Ministério da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, disse que a matéria sugere “uma ilação”, a que chamou de “covardia”. “Sempre cobram o governo para que seja + técnico. Estamos sendo. Risco país no nível mais baixo, nova previdência, bolsa batendo recorde. Mas essa mesma tecnicidade precisa ser cobrada da imprensa. Contribuir para desestabilizar o país sugerindo uma ilação como essa é uma covardia”, postou. 

Para o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno, a Globo, à qual chamou de “sensacionalista”, “ignorou a ética, a honestidade intelectual e os fatos para tentar ligar o Pres Rep ao caso Marielle”. Para ele, há tentativas de desestabilizar o País e “fomentar manifestações como as que ocorrem em outros países da América Latina”. 

Um dos integrantes da comitiva presidencial à Àsia e Oriente Médio, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, insinuou uma tentativa de paralisar as “mudanças” promovidas pelo governo. “Muitos dos que se beneficiavam do Brasil do atraso, tentam e seguirão tentando utilizar métodos rasteiros para que as mudanças não ocorram”. 

Também acompanhando o presidente na missão oficial, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, chamou de “delinquentes” os produtores da reportagem que foi ao ar nesta terça. Em outro post, afirmou que “a imprensa ultrapassa todos os limites da decência na tentativa de minar o governo”. 

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que há tempos deixou de ver o JN e que confia no presidente. 

Já Osmar Terra, da Cidadania, limitou-se a publicar o resultado da eleição do ano passado com um recado: