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03/07/2020 11:21 -03 | Atualizado 03/07/2020 11:25 -03

Bolsonaro convida Renato Feder, secretário no Paraná, para ministro da Educação

Decisão ocorre após polêmica sobre currículo de economista Carlos Decotelli. Feder será o 4º ministro a assumir a pasta em 18 meses de governo Bolsonaro.

Divulgação Secretário de Educação do Paraná
Secretário de Educação do Paraná ligou para o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para manifestar seu interesse em ser ministro.

O presidente Jair Bolsonaro formalizou, nesta sexta-feira (3), o convite para que o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, assuma o Ministério da Educação. Ele chegou a ser o nome mais cotado após a saída de Abraham Weintraub do governo, há duas semanas, mas Bolsonaro acabou escolhendo o economista Carlos Decotelli, que caiu antes mesmo de tomar posse, por inconsistências no currículo. 

Bolsonaro revogou a indicação de Decotelli apenas cinco dias após a publicação de seu nome no Diário Oficial – foi a passagem mais rápida de um ministro pela Esplanada dos Ministérios de Bolsonaro. O desgaste desta indicação acabou na conta da ala militar, quase vencida pelos ideológicos, que queriam emplacar alguém com o perfil de Weintraub. Bolsonaro foi convencido com a ajuda do centrão a optar por alguém com capacidade de interlocução. É o caso de Feder. 

De acordo com fontes palacianas, o secretário do Paraná telefonou ao ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para manifestar mais uma vez seu interesse pelo comando do MEC. Ele será o quarto chefe da pasta em 18 meses de gestão. 

Segundo interlocutores, um dos motivos que fez com que Feder deixasse de ser o mais cotado na largada foi seu contato inicialmente muito próximo com a imprensa. Após uma primeira reunião com o presidente semana passada, o provável futuro ministro afirmou que Bolsonaro lhe pediu atenção especial ao retorno às aulas após a pandemia do coronavírus e no contato com parlamentares nas articulações do novo Fundeb, o fundo de financiamento da educação. O presidente estaria insatisfeito com o que Weintraub vinha executando – ou não fazendo, no caso – nos dois sentidos. 

Assessores palacianos disseram, na sequência, que não havia nenhuma decisão – como de fato se confirmou – e que houve, na verdade, uma entrevista de emprego. 

A saída de Weintraub do MEC foi anunciada, em vídeo, no dia 18 de junho – mesmo dia da prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o que foi interpretado como uma “cortina de fumaça” no entorno político. A publicação no DOU ocorreu dois dias após – quando Weintraub já havia deixado o País – e depois a exoneração foi republicada, antecipando a data. Desde então, o Ministério da Educação segue sob o comando de Antonio Paulo Vogel, secretário-executivo da pasta. 

Na quinta (2), Bolsonaro disse, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, que a educação no País está “horrível”. “Está definhando? A educação no Brasil está horrível”.