NOTÍCIAS
28/01/2020 12:59 -03 | Atualizado 28/01/2020 14:23 -03

Bolsonaro decide exonerar secretário que usou avião da FAB: 'Imoral'

Substituto de Onyx Lorenzoni na Casa Civil voou de Davos para Índia justificando ter que participar de reunião de ministros.

Adriano Machado / Reuters
Presidente reclamou com secretário executivo da Casa Civil por ele não ter usado, como demais ministros, um avião comercial. 

O presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir o secretário executivo da Casa Civil, Vicente Santini, após ele ter usado um avião da FAB para voar de Davos para a Índia. O uso da aeronave não é ilegal e obedeceu aos critérios da Força Aérea Brasileira, mas o mandatário, antes de desembarcar no Brasil, já havia reclamado da atitude do subordinado, que está substituindo o ministro-chefe da pasta, Onyx Lorenzoni, em férias.  

“Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx. Decido por mim. Vou conversar com o Onyx para ver quais outras medidas vão ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu. Ponto final”, disse o presidente ao chegar ao Palácio do Planalto na manhã desta terça (28), retornando de sua viagem à Índia. 

Ele reconheceu que a postura de Santini não foi ilegal, mas classificou de imoral. “O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de avião comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para a Ásia toda de classe econômica”, comparou.

Como disse o presidente, de fato, outros ministros que integraram sua comitiva na Índia viajaram em voos comerciais — caso de Tereza Cristina (Agricultura), que estava em agenda na Alemanha anteriormente, e de Paulo Guedes (Economia), que assim como Santini, também estava em Davos. 

Além de Santini, estavam no voo da FAB outras duas pessoas: a secretária especial do Programa de Parceria de Investimentos, Martha Seillier, e a assessora internacional do PPI, Bertha Gadelha. 

Em nota, a Casa Civil afirmou somente que “a solicitação seguiu os critérios definidos na legislação vigente”. Santini teria dito ao presidente, segundo o próprio disse em coletiva à imprensa nesta manhã, que usou o avião da Força Aérea por ter que participar de reunião de ministros, alegando tempo. “Isso aí não rola; essa justificativa não”, acrescentou Bolsonaro. 

Têm direito ao uso de aeronaves da FAB, além dos presidentes de poderes, ministros de Estado e demais ocupantes de cargo público com prerrogativa de ministro e também comandantes das Forças Armadas.

Apesar de ter anunciado a exoneração de Santini do cargo de secretário executivo da Casa Civil, Bolsonaro não disse se vai retirar o funcionário do governo. Antes de exercer esse cargo, ele era subchefe de articulação e monitoramento da pasta, promovido quando Abraham Weintraub foi nomeado ministro da Educação.

O substituto de Santini já foi anunciado. A secretaria executiva da Casa Civil será ocupada por Fernando Moura, que ocupava a cadeira de adjunto na pasta até então. 

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost