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05/09/2019 14:13 -03 | Atualizado 05/09/2019 14:31 -03

Bolsonaro defende 'impor' modelo de militarização nas escolas sem ouvir a população

"Não queremos que essa garotada cresça para ser, no futuro, dependente de um programa social do governo."

HuffPost Brasil
Bolsonaro: "Não tem que perguntar para o pai irresponsável nessa questão se ele quer ou não uma escola com uma militarização. Tem que impor, tem que mudar".

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que “tem que impor” o modelo de militarização das escolas, lançado nesta quinta-feira (5) no Palácio do Planalto. O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (PECIM) prevê a atuação de militares da reserva nas parte administrativa e de tutela dos alunos. O plano prevê a implantação desses moldes em 216 escolas de Ensino Básico até 2023. 

“Temos a presença física do nosso governador Ibaneis [Rocha, do Distrito Federal]. Vi que alguns bairros tiveram eleição e não aceitaram. Me desculpa. Não tem que aceitar não. Tem que impor”, disse o presidente referindo-se à implantação do modelo de militarização nas escolas do DF, onde a questão foi colocada em votação no mês passado. 

A verificação de como a população do DF via a gestão compartilhada das escolas públicas com a Polícia Militar gerou tanta polêmica, que culminou na demissão do secretário de Educação Rafael Parente. Pelo Twitter, ele afirmou que o governador Ibaneis “foi longe demais”, por ignorar o resultado da votação. Isso porque duas das escolas que disseram não ao modelo militar teriam implantada a presença da PM mesmo a contragosto. 

“Não tem que perguntar para o pai irresponsável nessa questão se ele quer ou não uma escola com uma militarização. Tem que impor, tem que mudar. Não queremos que essa garotada cresça para ser, no futuro, dependente de um programa social do governo”, completou Jair Bolsonaro nesta quinta. 

Aos alunos do Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás em Anápolis, que estavam presentes na cerimônia, Bolsonaro disse: “Você olha para o semblante da garotada militar e o semblante de garotada de outras escolas, a gente nota a diferença. Vamos fugir do politicamente correto e cair na real. O que vem na minha cabeça do futuro desta garotada: que eles terão futuro. Cabe a cada um lutar por si e pelo seu conhecimento, e fazer um Brasil diferente”. 

Futuro melhor

A educadora Maria Cristina Gomes da Silva, 36, concorda com o presidente e acredita que todas as escolas públicas de Brasília deveriam ter a administração transferida para a PM. 

Ela tem uma filha de 16 anos cursando o segundo ano do Ensino Médio no Colégio Militar de Brasília. E gostaria que a outra, ainda com 10, no quinto ano do Ensino Fundamental, tivesse logo a oportunidade de conviver com “a disciplina que o modelo deles têm”. 

“Na escola onde trabalho [Escola Classe da 413 Sul, a mesma em que caçula estuda], uma professora foi agredida mês passado por um aluno, de ficar com hematomas. Os alunos estão impossíveis, incontroláveis. A gestão militar, eu acredito, pode resolver isso”, desabafou. 

Motorista da Uber três vezes por semana pela manhã, a mãe das meninas contou que a mais velha não queria ir para o CMB, mas agora se adaptou. “Hoje adora e ela mesmo já entrou no ritmo da disciplina, se cobra o melhor, faz tudo direitinho. Quero isso para a minha outra filha também. Se não for implantado o mesmo modelo na escola da mais nova no ano que vem, vou tirar de lá e colocar numa particular, porque pelo menos em uma dessas posso cobrar mais rigor”, encerrou Maria Cristina. 

Rigor

A disciplina que Maria Cristina espera do modelo de militarização a ser implantado foi exaltado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. “A linha de disciplina, de não destruir o patrimônio público... é visível esse respeito na escola cívico-militar. O respeito à bandeira, ao passado e ao presente. As linhas e a disciplina não são grilhões, é o oposto, as chaves que vão libertar as chaves das pessoas más que vão tentar de novo tentar”, disse. 

Em um discurso inflamado e com alto teor político, o chefe do MEC fez questão de frisar o papel do programa também no reforço do patriotismo. ”[Que] Nunca mais um regime totalitário tente ser implantado no Brasil. Nunca mais nós tenhamos uma ideologia externa tentando ser imposta aos brasileiros. Nunca mais o presidente de outro país questione a soberania deste país. Nunca mais a gente esqueça que essa bandeira jamais será vermelha”.