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04/02/2020 19:32 -03 | Atualizado 11/02/2020 15:20 -03

Brasileiros serão trazidos da China e ficarão de quarentena em Anápolis

Aeronaves cedidas pelo presidente partem de Brasília na quarta (5), às 12h. Previsão é chegar a Wuhan na madrugada de sexta (7) e voltar ao Brasil na manhã de sábado (8).

O governo federal liberou duas aeronaves da frota presidencial para buscar os brasileiros os brasileiros que estão na China e pretendem retornar ao Brasil. De acordo com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, cada uma delas, modelo Embaer 190, tem capacidade para 30 passageiros.

Todos os passageiros, incluindo as equipes de saúde que viajarão a Wuhan ― epicentro do surto de coronavírus ― para apoiar a ação, ficarão em quarentena no retorno ao Brasil. 

Eles serão abrigados na Base Aérea de Anápolis (GO) por 18 dias. O prazo de isolamento é maior que os 14 dias recomendados pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Ele foi ampliado para ter uma “margem de segurança”, por orientação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Na base, haverá quartos individuais para cada um e, aqueles que, no retorno, apresentarem sintomas de contaminação pelo vírus, serão encaminhados para o Hospital das Forças Armadas, em Brasília. 

Handout . / Reuters
Presidente decidiu emprestar as duas aeronaves presidenciais para trazer brasileiros da China ao Brasil. 

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, até o momento, 29 pessoas em Wuhan já manifestaram interesse em retornar ao País. O número, no entanto, pode aumentar, caso haja mais brasileiros interessados em voltar ao Brasil.

Os aviões sairão da Base Aérea de Brasília às 12 horas de quarta-feira (5). Serão quatro paradas até Wuhan, na China: Fortaleza, Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia), e Ürümqi (China). A previsão é chegar lá na madrugada de sexta (7) e voltar ao Brasil na manhã de sábado (8). 

Divulgação Ministério da Defesa
Itinerário do voo que os aviões presidenciais farão para buscar brasileiros na China.

O ministro da Defesa destacou a solidariedade do presidente Jair Bolsonaro. “Foi um gesto do presidente em abrir mão da aeronave, além da burocracia, apesar de ter a concorrência, e o custo”, afirmou Azevedo. Havia sido aventada a possibilidade de fazer uma licitação especialmente para fretar um avião. 

O transporte de Força Aérea Brasileira foi descartado por incompatibilidade com o serviço. As aeronaves da FAB ou são pequenas, ou são de guerra - como o Hércules - e precisariam fazer muitas paradas no caminho.

Segurança

Em coletiva de imprensa mais cedo, no Ministério da Saúde, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira, destacou que todos os brasileiros vão ter que fazer exames antes de embarcar.

“Obviamente cada pessoa vai passar por uma avaliação clínica, porque estamos falando de um risco social em comparação com um risco individual”, disse. “As pessoas não são obrigadas a vir para o Brasil, estão vindo voluntariamente e essa é uma conduta clínica. Então as pessoas que estão doentes, pelo próprio protocolo de saída da China, não podem embarcar”, completou.

Sobre o projeto de Lei enviado ao Congresso, os representantes do Ministério da Saúde esclareceram que o texto foi focado apenas na emergência do coronavírus para garantir uma maior celeridade de tramitação no Legislativo. Contudo, eles afirmaram que, se o texto não for aprovado, o ministério tem “alternativas”, e “no âmbito técnico, [isso] não terá nenhuma implicação direta”.

“A OMS pode determinar medidas adicionais, e então estamos trabalhando para nos salvaguardar, visando dar segurança legislativa”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabardo dos Reis.

Até esta terça-feira, somam em 20.630 os casos de coronavírus confirmados em todo o mundo, sendo 20.471 (99,2%) deles na China. O número de mortes chegou a 426, sendo que apenas uma foi registrada fora da China.

No Brasil, há 13 casos suspeitos; 16 já foram descartados. Nenhum foi confirmado.