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10/02/2020 17:22 -03

Na contramão da tradição diplomática, Bolsonaro deve indicar militar para embaixada em Israel

Indicação de general, em vez de diplomata ou político, confirma comportamento do presidente de "quebrar-padrões".

Alan Santos/PR
A transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém é uma das promessas de campanha de Bolsonaro e uma medida com a qual ele tem se mostrado comprometido.

O presidente Jair Bolsonaro decidiu indicar um militar para comandar a embaixada do Brasil em Israel. Ele deve encaminhar nos próximos dias ao Senado o nome do general Gerson Menandro Garcia de Freitas. A informação foi adiantada no início da tarde pela Crusoé e confirmada pelo HuffPost. 

Pesou a favor do general o fato de ele ter sido até o ano passado conselheiro na missão brasileira na ONU (Organização das Nações Unidas). A avaliação é que o desempenho dele na missão o tenha cacifado a atuar em um campo delicado como Israel. Nos bastidores, afirma-se que caberá a ele gerenciar a transferência da embaixada hoje em Tel Aviv para Jerusalém. Essa é uma das promessas de campanha de Bolsonaro e uma medida com a qual ele tem se mostrado comprometido.

A indicação de um militar, no entanto, tem causado estranhamento. Historicamente, são diplomatas de carreira ou políticos com experiência os indicados a esses postos. 

O general Gerson Menandro Garcia de Freitas vai substituir Paulo Cesar Meira de Vasconcellos, indicado ao posto em 2017 pelo ex-presidente Michel Temer. Antes de Israel, Vasconcellos teve uma longa carreira diplomática no exterior. Foi encarregado de negócios na embaixada em Abu Dhabi (1987), teve passagens na embaixada em Washington (1991-1994); na embaixada em Ottawa (1994-97); no Consulado-Geral em Nova York, como Cônsul-Geral Adjunto (1994-2004); na embaixada em Bangkok (2010-2014) e na embaixada em Abu Dhabi (2014), como embaixador. 

A possível indicação do general, contudo, confirma o comportamento do presidente de não seguir tradições. No Itamaraty, diplomatas de carreira destacam que uma das principais características deste governo na política externa é a “quebra de padrões” em áreas consideradas estratégicas e chave internacionalmente. Israel é uma delas.

O presidente já havia demonstrado esta disposição quando insistiu por cerca de três meses na indicação de seu filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos EUA. Recuou quando recebeu sinais de que o filho não seria aprovado pelo Senado. 

O general Garcia de Freitas se aproximou de Bolsonaro na viagem que o mandatário fez recentemente à Índia. O militar estava pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e ambos conversaram sobre os desafios da transferência da embaixada.