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17/07/2019 01:00 -03 | Atualizado 23/08/2019 11:46 -03

Conselheiros tentam dissuadir Bolsonaro de indicar filho à embaixada nos EUA

Senadores governistas articulam aprovação de nome de Eduardo Bolsonaro em sabatina no Senado.

Divulgação/Facebook
Eduardo Bolsonaro e o pai se encontraram com Donald Trump em Osaka, no Japão, durante a cúpula do G20.

Embora Jair Bolsonaro tenha confirmado nesta terça-feira (16) a intenção de indicar o filho Eduardo como embaixador nos Estados Unidos, o presidente tem sido aconselhado por pessoas próximas a recuar. Aliados o instruem, nos bastidores, dos riscos e do desgaste de levar a ideia adiante. Desde o anúncio do interesse de Bolsonaro na semana passada, a avaliação é que a decisão pode provocar uma onda de acusações de nepotismo e causar uma associação não desejada do governo com corrupção, conforme afirmaram fontes ouvidas pelo HuffPost.

Jair Bolsonaro tem ouvido as pessoas próximas, mas prefere manter sua posição. Porém, para que ela seja de fato efetivada, a decisão de indicar Eduardo precisa ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) — o que ainda não tem data para ocorrer. Como o Congresso Nacional entra em recesso parlamentar nesta semana, os conselheiros palacianos esperam ter sucesso em reverter o pensamento de Jair até o fim de julho.

Em paralelo ao movimento que ocorre nos corredores do Palácio do Planalto, aliados do governo já começaram a articular no Senado, onde o nome do deputado federal precisa ser avalizado. A intenção é que, caso o presidente se mantenha firme a favor do filho, a votação na Casa ocorra ainda em agosto.

Líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disse ao HuffPost que está convicto da aprovação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada dos EUA, caso ela se concretize. Segundo ele, o governo é maioria tanto na Comissão de Relações Exteriores (CRE) quanto no plenário.

Após sabatina na CRE, há uma votação secreta do nome indicado a embaixador. Se aprovada na comissão, a indicação é apreciada pelos senadores em plenário, onde a votação também é secreta.

Não se trata de nepotismo. É uma indicação política. Se é conveniente e oportuno, é uma prerrogativa única do presidente.Major Olímpio (PSL-SP), líder do PSL no Senado

Recurso por nepotismo

Porém, se o presidente realmente decidir levar adiante sua ideia, vai enfrentar resistências que vão além do processo legislativo. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que integra a CRE, pretende recorrer judicialmente contra a nomeação do 03 — como Bolsonaro chama o terceiro filho — tão logo ela seja publicada no DOU.

“Vou entrar com uma ação popular contra a nomeação. Ela fere claramente a vedação contra o nepotismo. É totalmente contra a Constituição”, disse o parlamentar, para quem a intenção do presidente representa um “retrocesso republicano”.

Para Randolfe, não há “precedentes na História do País em que o único atributo para ser indicado a um cargo seja ser filho do presidente”. O senador ainda que é uma tradição da política externa que os cargos em embaixadas sejam ocupados por chanceleres em fim de carreira ou ex-presidentes.

Não há precedentes na História do País em que o único atributo para ser indicado a um cargo seja ser filho do presidente.Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder

Prerrogativa do presidente

Aliado do presidente, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) rebateu o colega. “Não se trata de nepotismo. É uma indicação política. Existem precedentes no Supremo Tribunal Federal. Se é conveniente e oportuno, é uma prerrogativa única do presidente da República”, argumento ao HuffPost.

O senador ressaltou que Eduardo é um parlamentar “com mais de um milhão de votos, tem proximidade com o governo, o que ao invés de problema, é solução”. Major Olímpio afirma ter a intenção de ser relator do caso quando ele for debatido na Comissão de Relações Exteriores no Senado.