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18/03/2019 20:38 -03

Bolsonaro elogia 'capacidade bélica' dos EUA e diz ser preciso resolver 'questão da Venezuela'

Presidente usou discurso a empresários americanos para falar de agenda conservadora e criticar imprensa.

HuffPost Brasil
Jair Bolsonaro é recebido pelo CEO da Câmara de Comércio dos EUA, Tom J. Donohue, antes de discurso a empresários em Washington.

Ao dizer, em discurso em Washington, que Brasil e Estados Unidos estão “trabalhando em conjunto” para resolver a questão da Venezuela, o presidente Jair Bolsonaro afirmou reconhecer a “capacidade econômica e bélica” americana.

“Temos alguns assuntos que estamos trabalhando em conjunto, reconhecendo, obviamente, a capacidade econômica, bélica, entre outras, dos Estados Unidos. Temos que resolver a questão da nossa Venezuela”, disse.

“A Venezuela não pode continuar da maneira que se encontra. Aquele povo tem que ser libertado e acreditamos e contamos, obviamente, com o apoio norte-americano para que esse objetivo seja alcançado”, completou.

A fala deu margem para questionamentos dos jornalistas se o presidente pode retroceder nesta terça-feira (19), em reunião com o anfitrião Donald Trump, na posição de não apoiar uma intervenção militar no país vizinho.

O governo americano já disse que todas as opções estão sobre a mesa quando o assunto é Venezuela, mas o Brasil - e principalmente os militares brasileiros - tem se mostrado resistente a uma intervenção.

Após o discurso de Bolsonaro, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse que o país continuará buscando uma solução diplomática para a crise na Venezuela.

No discurso de cerca de 9 minutos a empresários e investidores americanos, o presidente preferiu falar menos de economia e mais de suas bandeiras conservadoras - com direito, mais uma vez, a ataques à imprensa.

Segundo Bolsonaro, ele “conheceu” Donald Trump, quando o americano, ainda candidato “começou a sofrer ataques da mídia”.

“Vou dizer pra ele [nesta terça] que, dois anos antes, eu já sofria a mesma coisa no Brasil”, disse, acrescentando que, como Trump, também venceu as eleições “tendo fake news e grande parte da mídia contra” ele.

Bolsonaro citou mais uma vez o “milagre” que é estar vivo após ter sido vítima de um atentado com faca durante a campanha e creditou sua vitória ao cansaço do povo brasileiro com “a velha política, o toma-lá-dá-cá, as negociações e o péssimo exemplo dos governos do PT”. “Governos que antes de tudo, eram anti-americanos”, ressaltou.

O presidente se comparou mais de uma vez a Trump e disse que os dois países vão “alavancar” não só na economia, mas também “nos valores que ao longo dos últimos anos foram deixados para trás”.

“Acreditamos na família, acreditamos em Deus, somos contra o politicamente correto, não queremos a ideologia de gênero e queremos, sim, um mundo de paz e liberdade”, afirmou.

Bolsonaro terminou o discurso reconhecendo sua “inexperiência no Executivo”, mas se disse “muito bem assessorado por 22 ministros que falam entre si”. “Nós acreditamos no Brasil”, afirmou.