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15/09/2020 11:18 -03 | Atualizado 15/09/2020 17:34 -03

‘Até 2022 está proibido falar a palavra Renda Brasil’, diz Bolsonaro

Em meio a ajuste fiscal e propostas de corte de benefícios, presidente desiste do Renda Brasil e repete que não vai “tirar dinheiro de pobres para dar aos paupérrimos”.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (15) que desistiu de criar o Renda Brasil, programa de transferência de renda que tinha intenção de ser mais abrangente que o Bolsa Família e substituiria o auxílio emergencial. Ao apresentar notícias de jornais que traziam informações de cortes em programas sociais já existentes para as classes mais baixas, presidente voltou a afirmar que não vai tirar dinheiro de pobres para dar a paupérrimos.

“Já disse há poucas semanas que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem por ventura vier a propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho para essa essa. É gente que não tem um mínimo de coração, um mínimo de entendimento sobre como vivem os aposentados no Brasil.”

“Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil, vamos continuar com Bolsa Família e ponto final”, encerra no vídeo.

Bolsonaro reconheceu que “pode ser que alguém da equipe econômica tenha falas sobre esse assunto”, mas acrescentou que “por parte do governo jamais vamos congelar salário de aposentados, bem como jamais vamos fazer com que auxílio para idosos e pobres com deficiência seja reduzido para qualquer coisa que seja”.

Há meses a equipe econômica trabalha em uma proposta que consiga acomodar o novo programa sem causar danos às contas públicas. Não há, no entanto, espaço para alocar o Renda Brasil. A equipe do ministro Paulo Guedes tentou usar dinheiro do Fundeb (fundo que financia a educação) para criar o programa, mas o Congresso vetou.

O principal entrave é a política de teto de gastos, em vigor desde 2016. Essa medida significa um compromisso do governo em não gastar mais do que foi gasto no ano anterior, corrigido apenas pela inflação. Ou seja, para criar um novo gasto, outro precisa ser cortado.

‘Cartão vermelho não foi pra mim’

Horas depois da postagem de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a bronca do presidente não tinha ele como destinatário. “O cartão vermelho [de Bolsonaro] não foi para mim”, disse Guedes, durante o evento virtual Painel Tele Brasil 2020. “A reação do presidente foi política, correta”, completou.

Os jornais repercutiam uma fala do secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, ao site G1, que revelou que o governo vinha discutindo a possibilidade de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, serem desvinculadas do salário mínimo, o que congelaria os benefícios, deixando-os sem reajustes.

“A desindexação que apoiamos diretamente é a dos benefícios previdenciários para quem ganha um salário mínimo e acima de um salário mínimo, não havendo uma regra simples e direta. O benefício hoje sendo de R$ 1.300, no ano que vem, ao invés de ser corrigido pelo INPC, ele seria mantido em R$ 1.300. Não haveria redução, haveria manutenção”, disse Rodrigues.

“O linguajar, os termos do presidente são sempre muito intensos. Da mesma forma que o lide da notícia dizia que estava tirando direitos dos mais pobres e vulneráveis, não era essa intenção, nunca foi”, disse o ministro. Segundo ele “o presidente está dizendo que a mídia está dizendo” que Guedes quer “tirar dinheiro de pobre para dar para mais pobres”. “Eu não vou fazer isso. Acabou o Renda Brasil.”