POLÍTICA
13/06/2019 17:45 -03 | Atualizado 14/06/2019 12:15 -03

Santos Cruz é demitido do cargo de ministro-chefe da Secretaria de Governo

General é o terceiro ministro a cair em menos de 6 meses de governo. Ele foi comunicado da decisão por Bolsonaro em reunião na tarde desta quinta-feira (13).

Adriano Machado / Reuters

O presidente Jair Bolsonaro demitiu na tarde desta quinta-feira (13) o general Santos Cruz da chefia da Secretaria de Governo. Em nota, a Presidência informou que o sucessor dele será o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, atual comandante militar do Sudeste. Assim como Santos Cruz, ele também fez parte da missão de estabilização da ONU no Haiti. 

O então ministro estava em uma audiência na Câmara dos Deputados quando foi chamado pelo presidente para comparecer ao Palácio do Planalto.

Pessoalmente, o presidente conversou com o ministro e decidiu por sua demissão. Após reunião com o presidente, Santos Cruz reuniu sua equipe e anunciou que estava deixando o posto.

Em nota, o general agradeceu a autoridades, instituições, aos servidores, aos deputados e senadores, presidentes da Câmara e do Senado, além de governadores e prefeitos. Ele fez ainda um aceno ao presidente e seus familiares, aos quais desejou “saúde, felicidade e sucesso”.

Também em nota, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo de Barros, disse que o presidente “deixa claro que essa ação não afeta a amizade, a admiração e o respeito mútuo, e agradece o trabalho executado pelo general Santos Cruz à frente da Secretaria de Governo”.

O presidente da República deixa claro que essa ação não afeta a amizade, a admiração e o respeito mútuo.

 

Rivalidade

Ainda não está claro o motivo da demissão, mas, desde março, o ministro tem sido alvo de críticas da ala olavista e de Carlos Bolsonaro, filho do presidente responsável pela comunicação na campanha presidencial e atual conselheiro na área.

Em abril, o clima ruim se acirrou com a chegada de Fabio Wajngarten na Secretaria de Comunicação (Secom). Os dois divergem ideologicamente. Além disso, há relatos de que Santos Cruz teria trocado mensagens ofensivas sobre Bolsonaro. 

Na época, o militar foi alvo da artilharia olavista. A perseguição ao general chegou a fazer com que o ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional, general Villas Boas também partisse para cima do ideólogo Olavo de Carvalho. 

No Twitter, o general chamou o “guru” de “verdadeiro Trotsky de direita” e disse que, no momento em que o país busca coesão, Olavo age no sentido de acentuar as divergências.

A Secretaria de Governo é responsável pela Secom e pelas verbas para publicidade. Santos Cruz é o terceiro ministro a cair. Antes dele, foram demitidos Gustavo Bebianno, da Secretaria Geral, e Ricardo Vélez, da Educação.