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12/11/2019 18:48 -03 | Atualizado 12/11/2019 19:53 -03

Bolsonaro deixa PSL, oitavo partido de sua carreira, e criará um novo, Aliança pelo Brasil

Senador, Flávio Bolsonaro também deixou o partido. Nova legenda será nos moldes do Conservadores, que já vinha sendo desenhado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Adriano Machado / Reuters
Segundo aliados que se reuniram com Jair Bolsonaro esta tarde, o mandatário deve permanecer sem partido até a criação da nova sigla.

O presidente Jair Bolsonaro informou na tarde desta terça-feira (12) a aliados que deixará o PSL e criará o Aliança pelo Brasil. 

Também o senador Flávio Bolsonaro, seu primogênito, está de saída da legenda e, inclusive, já entregou uma carta de desfiliação ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Como se elegeu a um cargo majoritário, não corre o risco de perder o mandato por não cumprir as regras da janela partidária - período de um mês, seis meses antes da eleição durante o qual deputados podem mudar de legenda sem perder os respectivos mandatos, pertencentes aos partidos, conforme a legislação - e, por isso, pode mudar de sigla a qualquer tempo. 

Segundo aliados que se reuniram com Jair Bolsonaro esta tarde, o mandatário deve permanecer sem partido até a criação da nova sigla. O processo é demorado e, para que se consolide a tempo da eleição municipal do ano que vem, tudo precisa estar acertado até abril de 2020. 

A intenção do presidente é levar ao menos 30 integrantes do PSL com ele. Para isso, uma série de medidas judiciais estão em estudo. A ideia é driblar a janela partidária e levar consigo o valor do Fundo Eleitoral e os tempos de propaganda. 

Já existe até uma reunião marcada para o próximo dia 21, quando será apresentado o estatuto do Aliança pelo Brasil. 

O novo partido será a nona casa de Jair Bolsonaro desde que ele começou sua vida política. Além do PSL, ele já passou pelo PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e PSC.

O estopim

O movimento de saída de Bolsonaro do PSL tornou-se público no início de outubro, quando veio a público um vídeo do mandatário em que ele comenta com um apoiador que o presidente do PSL, Luciano Bivar, “está queimado pra caramba”. 

O desgaste, porém, já vinha de antes. Dono da máquina, que cresceu vertiginosamente após a ida de Jair Bolsonaro para o partido - deve receber até 2022 R$ 737 milhões de Fundos Partidário e Eleitoral, quando de 2015 a 2018 recebeu cerca de R$ 39,5 milhões -, Bivar quis voltar a controlar o dinheiro, que havia deixado na mão do presidente e dos filhos ao longo da campanha. O mandatário, por sua vez, queria continuar dando as cartas, não apenas no campo financeiro. Preferências para a eleição municipal do ano que vem já começavam a ser motivo de brigas internas.

Com a rixa publicizada, os ânimos de exaltaram. Os filhos 01 e 03 de Bolsonaro foram retirados, por bivaristas, dos diretórios estaduais do Rio e São Paulo, respectivamente. Por sua vez, bolsonaristas ingressaram com ação judicial para que o PSL fosse obrigado a abrir as contas do partido. Houve até guerra de listas na Câmara pela liderança, na qual acabou vencedor Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). 

Premissas do novo partido 

Segundo o HuffPost apurou, o novo partido de Bolsonaro seguirá os moldes do Conservadores, a legenda que já vinha sendo desenhada por aliados de Eduardo Bolsonaro. 

Conforme a reportagem mostrou no mês passado, o estatuto em gestação falava em “moralidade cristã como o respeito à vida, à família e à liberdade” e “combate à sexualização precoce de crianças” e também “combate à apologia da ideologia de gênero”.

Defendia ainda a “educação básica livre de doutrinações, como fundamento da cidadania” e mais uma vez menção à legítima defesa, desta vez com destaque ao direito de porte de “todos os meios adequados para combater o agressor”. Destacava também a necessidade de um “ambiente social livre de drogas”. 

Tudo isso também deve nortear o Aliança pelo Brasil.