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09/01/2020 18:08 -03

Sem Bolsonaro em Davos, potenciais adversários em 2022 ganham protagonismo

João Doria e Luciano Huck estarão no Fórum Econômico Mundial no qual o presidente desistiu de comparecer por medo de protestos.

NELSON ALMEIDA via Getty Images
Doria vai anunciar, em Davos, a criação da unidade do Centro para a 4ª Revolução Industrial, em São Paulo.

Com receio de ser alvo de protestos pelo alinhamento brasileiro com os Estados Unidos, em especial diante do conflito americano com o Irã, o presidente Jair Bolsonaro cancelou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no fim do mês. Em seu lugar, vai o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Contudo, lá estarão dois potenciais adversários do mandatário em 2022, que devem atrair os holofotes sem Bolsonaro: o apresentador Luciano Huck e o governador de São Paulo, João Doria

Ninguém ainda se admite presidenciável. Porém, também não há quem vá a passeio a Davos, o maior encontro econômico mundial. Este ano, o Fórum completa sua 50ª edição e ocorrerá entre os dias 21 a 24 de janeiro. 

Como Bolsonaro, que alegou “aspectos econômicos, de segurança e políticos” nas palavras do porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também não estará na conferência. Acontece que é comum que os mandatários norte-americanos não marquem presença em Davos.

Em 2019, o encontro econômico foi o primeiro evento internacional de Bolsonaro. O presidente foi o primeiro chefe de estado a discursar e usou apenas seis dos 45 minutos que tinha disponíveis. O texto foi escrito pelo assessor para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, e acabou criticado pela superficialidade. 

Possíveis adversários no palco suíço

Esta será a terceira vez que o governador de São Paulo vai palestrar no Fórum - agora, para falar sobre urbanismo e desenvolvimento. Na agenda, há também encontros com empresários e fundos de investimentos para tratar de programas de concessões. 

Doria vai anunciar, em Davos, a criação da unidade do Centro para a 4ª Revolução Industrial, em São Paulo, cuja inauguração ocorrerá em maio, quando a capital paulista receberá o Fórum Econômico Mundial para a América Latina.  

A instalação do escritório é uma parceria do governo estadual - por meio das secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e de Relações Internacionais - com o Ministério da Economia e o Fórum Econômico Mundial, e representa a intenção de inserir o País em novas políticas, com troca de conhecimento e aprendizado global. 

Já Luciano Huck estará no encontro pela segunda vez, participando de um painel sobre os protestos da última década na América Latina e seus impactos na política e na economia, junto com representantes da ONU (Organização das Nações Unidas), da Transparência Internacional e especialistas na área internacional.

Participação brasileira

Representando o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes terá uma agenda cheia em Davos, onde deve ficar entre os dias 20 e 23. Executivos de diversos setores já solicitaram audiências com ele. 

No cronograma preliminar do ministro da Economia constam encontros com os presidentes do UBS Group, Axel Weber; da Microsoft, Brad Smith; da empresa de entregas UPS Internacional, Nando Cesarone; e do Canadian Pension Investment Board, Mark Machin; além dos CEOs da Arcelor Mittal, Lakshmi Mittal, e da Chevron, Mike Wirth. 

Há ainda previsão de reuniões, a confirmar, com o presidente da Royal Dutch Shell, Ben Van Beurdencom; e com os CEOs da Coca Cola, James Quincey, e do Uber, Dara Khosrowshahi. Há pelo menos mais 20 pessoas interessadas em conversar com Paulo Guedes, mas sem espaço ainda na agenda. 

Apesar do cronograma apertado de Guedes, que depois deve se unir ao chefe na Índia, interlocutores do Palácio do Planalto dizem que a comitiva presidencial não será desmobilizada até a véspera do Fórum, “para o caso de Bolsonaro mudar de ideia e decidir, de última hora, comparecer ao evento econômico”. 

O que é Davos? 

O Fórum Econômico Mundial é uma organização sem fins lucrativos criada em 1971, quando voltava-se apenas para o mundo acadêmico. Três anos depois, começou a convidar políticos e deu início ao encontro como ele é hoje. 

Todos os anos, entre 2.000 e 3.000 personalidades globais são convidadas a debater um tema que muda a cada encontro, com vistas a melhorar a situação do mundo.

Em 2020, na 50ª edição, o tema será “Ações para um mundo coeso e sustentável”, e se pretende abordar o progresso do Acordo de Paris e discussões sobre tecnologia e governança comercial. 

Além de significar oportunidade para discursos e debates, o Fórum abre portas para reuniões bilaterais com pares e representantes que podem efetivar o fechamento de acordos.