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02/09/2019 09:48 -03 | Atualizado 02/09/2019 09:49 -03

Datafolha: Reprovação de Bolsonaro chega a 38%

De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros não confiam no que o presidente diz.

Antonio Cruz/ Agência Brasil
De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros não confiam no que o presidente diz.

A reprovação dos brasileiros ao presidente Jair Bolsonaro chegou a 38%, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a julho, quando era de 33%, de acordo com pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira (2).

Por outro lado, a aprovação caiu neste período, dentro do limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, de 33% na medição anterior para 29% agora. 

A avaliação do governo como regular ficou estável, passando de 31% para 30%. Foram ouvidas 2.878 pessoas com mais de 16 anos em 175 municípios no levantamento.

A perda de apoio foi acentuada entre aqueles mais ricos, com renda mensal acima de 10 salários mínimos. Neste grupo, mais identificado como eleitorado bolsonarista, a aprovação ao presidente caiu de 52% em julho para 37% agora.

A pior avaliação, contudo, segue sendo entre os mais pobres, que ganham até dois salários mínimos (22%), os mais jovens (16 a 24 anos, 24%) e com escolaridade baixa (só ensino fundamental, 26%). A rejeição entre as mulheres é de 43%, comparada a 34% entre os homens.

Reduto bolsonarista, na região Sul, houve um aumento de 25% para 31% entre os que avaliam o governo como ruim ou péssimo. No Nordeste, região com orientação política oposta, o mesmo índice subiu de 41% para 52% de julho para cá.

No intervalo entre as duas pesquisas, Bolsonaro reforçou o discurso ideológico. Ele 19 de julho, ele se referiu ao Nordeste como “paraíba”, termo preconceituoso. 

Dez dias depois, o presidente sugeriu que o pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) havia sido morto por colegas de luta armada na ditadura. Documentos da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério de Direitos Humanos revelam que Fernando Santa Cruz foi preso e morto pelo Estado.

Nesse intervalo, Bolsonaro indicou o filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para comandar a embaixada brasileira em Washington (EUA). Ele também extinguiu o Coaf, (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), medida que pode coibir investigações sobre seu outro filho, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Também foi nesse período que a crise ambiental chegou ao ápice, envolvendo uma troca de farpas com o presidente da França, Emmanuel Macron. Na área ambiental, o presidente também fez acusações sem provas, como a de que os incêndios na Amazônia teria sido causados por ONGs (organizações não governamentais).

44% não confiam no que o presidente diz

A postura de Bolsonaro se refletiu na pesquisa. De acordo com o Datafolha, 44% dos brasileiros não confia na palavra do presidente, outros 36% confiam eventualmente e 19%, sempre.

Subiu de 25% em julho para 32% agora o contingente que pensa que o ex-deputado nunca se comporta conforme o cargo exige. Por outro lado, os que acham que Bolsonaro cumpre a liturgia do cargo caíram de 22% para 15%.

A expectativa sobre o governo também mostra sinais negativos. São 45% os que acreditam que a gestão será ótima ou boa, ante 51% em julho. Os que creem numa administração ruim ou péssima subiram de 24% para 32% no período.

Os levantamentos do Datafolha até julho mostravam um cenário em que a população estava dividida em três terços, quem achava Bolsonaro ótimo ou bom, ruim ou péssimo e regular.

O ex-deputado segue sendo o presidente eleito mais mal avaliado em um primeiro mandato, em comparação com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.