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16/05/2019 17:22 -03 | Atualizado 16/05/2019 17:43 -03

Nos EUA, Bolsonaro critica investigação sobre filho: 'Venham para cima de mim'

Presidente recebeu prêmio em Dallas, após cancelar ida a NY por protestos: "É um momento de glória".

Marcos Corrêa / Presidência
Em Dallas, Bolsonaro prestou continência à bandeira americana antes de receber prêmio.

Durante viagem a Dallas, nos Estados Unidos, onde recebeu nesta quinta-feira (16) o prêmio Personalidade do Ano, oferecido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, o presidente  Jair Bolsonaro  disse que as investigações do Ministério Público contra seu filho Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, são uma tentativa de atingi-lo. 

“Estão fazendo esculacho em cima do meu filho. (...) Querem me atingir? Venham para cima de mim! Podem vir para cima de mim”, afirmou a jornalistas. “Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem que ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar.”

Flávio Bolsonaro teve o sigilo bancário quebrado após o MP do Rio de Janeiro identificar que o parlamentar pode ter utilizado a compra e venda de 19 imóveis entre 2010 e 2017 para lavar dinheiro, segundo a revista Veja.

As declarações do presidente foram dadas antes da cerimônia do almoço para a entrega do prêmio, transferida para o Texas depois de Bolsonaro desistir da viagem a Nova York. Nesta quinta, ele repetiu que não poderia ir a Nova York por causa das críticas que recebeu do prefeito da cidade, o democrata Bill de Blasio.

“Não posso ir na casa de uma pessoa onde alguém da família não me queira bem”, disse, em Dallas, completando que “lamenta muito o ocorrido”, mas que ainda respeita os nova-iorquinos.

No discurso, Bolsonaro afirmou que receber o prêmio era “um momento de glória e de honra” para ele. “O Brasil de hoje é amigo dos Estados Unidos” , declarou, depois de afirmar que prestou continência à bandeira americana mais cedo no evento por respeitar o povo dos EUA, “seus irmãos do Norte”.

O jantar para a entrega do prêmio seria, inicialmente, no Museu de História Natural de Nova York, onde tinha ocorrido nos últimos anos. Após a pressão de ambientalistas, ativistas e internautas - e do próprio De Blasio -, no entanto, o museu acabou cancelando a reserva do local para a premiação

“Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos de nossas organizações, concordamos em conjunto que o Museu não é o local ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio. Este evento tradicional irá acontecer em outro local na data e hora originais”, disse o museu em nota.

Dias antes, a instituição havia “deixado claro que não convidou o presidente Bolsonaro” e que estava “profundamente preocupada com os objetivos declarados do atual governo brasileiro”.

Na última terça (14), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um dos já laureados com o mesmo prêmio, representou Bolsonaro no jantar da Câmara de Comércio em Nova York, em um hotel na Times Square, para o qual já tinham sido vendidos cerca de mil ingressos a empresários e autoridades.

Enquanto Bolsonaro foi o escolhido para ser homenageado pelo lado brasileiro, do lado americano, o prêmio foi concedido ao secretário de Estado, Mike Pompeo. Ele, contudo, não compareceu nem mesmo ao evento em Dallas, sendo representado por um conselheiro do Departamento de Estado.

Bolsonaro também aproveitou sua fala no almoço, nesta quinta, para destacar mais uma vez de sua preocupação com as eleições na Argentina, no fim do ano. Por lá, a ex-presidente Cristina Kirchner aparece bem colocada nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo Bolsonaro, o país vizinho está indo “por um caminho bastante complicado” e “ter uma outra Venezuela no Cone Sul” seria um problema não só para o Brasil, mas para os Estados Unidos. 

O presidente citou o capitão do Exército americano Charles Chandler, morto em 1968 por guerrilheiros brasileiros em São Paulo, e disse que quem ocupava o governo no Brasil recentemente “teve suas mãos manchadas de sangue na luta armada”. Segundo ele, Chandler “foi um herói americano”. 

Bolsonaro também criticou mais uma vez a imprensa brasileira, dizendo ser “tomada pela esquerda”.  

Ao encerrar o discurso, Bolsonaro foi acrescentar os Estados Unidos em seu bordão e acabou errando a frase: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo, Brasil acima de todos.” 

 

Cortes na educação e impeachment 

Um dia depois de declarar que os manifestantes que tomaram as ruas de diversas cidades do Brasil contra cortes na Educação eram “idiotas úteis” e “massa de manobra”, Bolsonaro disse nesta quinta não ser ele o responsável pelos cortes no setor.

“Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda um processo de impeachment no ano que vem por ferir a lei de responsabilidade fiscal, por não ter previsto que a receita, que agora é realidade, foi menor do que a despesa?”, disse.

Bolsonaro ainda afirmou só ter visto faixas pedindo a libertação do ex-presidente Lula (PT) nas imagens dos protestos. “Ontem, só vi faixa de ‘Lula Livre’, mais nada. Vi uma manifestação, agora de manhã, de professores de escolas particulares cujos filhos foram levados para a passeata, nem sabiam o que estava acontecendo.”

Ele respondeu aos acadêmicos que argumentam que os cortes de bolsas de pós-graduação prejudicarão pesquisas em andamento dizendo que “entre as 250 melhores universidades do mundo não tem nenhuma brasileira”. “E vocês vão me falar que estamos prejudicando pesquisa? Pesquisa até temos, na Mackenzie, no IME, ITA, em algumas poucas universidades. Não temos nada no Brasil”, declarou. “Quando acabar o nosso commoditie, a gente vai viver do quê? Me desculpe agora, baixando o nível, a gente vai viver de capim.”