POLÍTICA
21/06/2019 13:12 -03 | Atualizado 21/06/2019 15:33 -03

Bolsonaro coloca PM da reserva na Secretaria-Geral da Presidência e general, nos Correios

A jornalistas, presidente admitiu problemas em articulação política no governo, mas disse que Onyx está fortalecido.

Adriano Machado / Reuters

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira (21) duas importantes mudanças na estrutura do governo. O general Floriano Peixoto deixará a Secretaria-Geral da Presidência para assumir o comando dos Correios. O atual sub-chefe de Assuntos Jurídicos da Presidência, o major da Polícia Militar Jorge Oliveira, ocupará o lugar de Peixoto.

O general Peixoto assumirá nos próximos dias o cargo nos Correios no lugar do também general Juarez Cunha, autoridade que o próprio Bolsonaro anunciou na semana passada que iria demitir do cargo sob a alegação de ter se comportado como sindicalista.

Cunha entrou na mira do presidente após ter comparecido a uma comissão Câmara dos Deputados em que foi fotografado ao lado de sindicalistas e também se pronunciado publicamente contra a privatização dos Correios ― uma das estatais que Bolsonaro quer repassar para a iniciativa privada.

Bolsonaro, que anunciou as mudanças em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, disse que o advogado e major da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Oliveira é uma pessoa que o acompanha há 15 anos e afeita à área burocrática. Oliveira vai acumular a secretaria de Assuntos Jurídicos com o ministério em um primeiro momento.

O presidente disse ter optado “em comum acordo” com Peixoto a ida dele para o comando dos Correios. Questionado sobre a privatização da estatal, o presidente disse que não há prazo para ocorrer porque é uma medida que depende do aval do Congresso Nacional para avançar.

“No momento, o trabalho do general Peixoto é fazer com que os Correios voltem a ser motivo de orgulho”, disse.

Desde o início do governo, essa é a segunda troca na Secretaria-Geral da Presidência. Antes de Peixoto, o cargo foi ocupado pelo advogado Gustavo Bebianno, que presidiu o PSL, partido de Bolsonaro, durante a campanha eleitoral vitoriosa.

Bebianno foi demitido pelo presidente em fevereiro em meio a uma briga com um dos filhos de Bolsonaro e denúncias de que, sob seu comando à frente do PSL, candidaturas em Estados teriam cometido irregularidades.

Falhas na articulação política

Aos jornalistas, o presidente admitiu que o governo tinha problemas na articulação política, mas fez questão de dizer que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está fortalecido.

“Não há previsão de mudar mais ninguém, tínhamos problemas na articulação política em parte sim”, disse durante a entrevista coletiva.

Nesta semana, o governo editou uma nova medida provisória na qual transferiu a articulação política da Casa Civil para a Secretaria de Governo.

Bolsonaro disse que o general Luiz Eduardo Ramos, que está assumindo a Secretaria de Governo no lugar do general Carlos Alberto Santos Cruz, ”é uma pessoa perfeitamente qualificada em ter um melhor relacionamento com o Parlamento brasileiro”.

O presidente também afirmou que o general Ramos, que é seu amigo desde 1973, teve uma passagem em assessoria parlamentar por dois anos e vasta experiência em outras áreas.

Bolsonaro explicou que há três ministérios no Planalto ―Secretaria de Governo, Casa Civil e Secretaria-Geral da Presidência― que são “fusíveis”. “Para evitar queimar o presidente, eles se queimam”, avaliou.

Para o presidente, a função que Onyx Lorenzoni vinha desempenhando é a “mais complicada”. Ele disse que foi decidido passar a articulação política para a Secretaria de Governo e repassar o Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) para a Casa Civil.

“Ele está fortalecido no meu entender, aqui não tem ministro fraco ou forte, todo mundo tem que jogar junto nesse time”, disse.

De acordo com o presidente, Onyx continuará o seu trabalho e afirmou que, em grande parte, vai retornar a estrutura de governo anterior.

O presidente disse que não levará adiante a proposta feita há meses de criação de um Conselho de Articulação Política, que teria a participação de dirigentes partidários e poderia ajudar na construção de uma base aliada no Congresso.

“Natimorto, não deu certo e vimos que depois do anúncio não ia dar certo e ia apenas burocratizar”, disse.