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23/03/2020 10:48 -03 | Atualizado 23/03/2020 17:58 -03

Bolsonaro tem pior avaliação na crise que governadores e ministério, diz Datafolha

Postura do presidente sobre coronavírus é aprovada por 35%, enquanto 54% e 55% classificam o trabalho dos governadores e do MS como “bom ou ótimo”, respectivamente.

Pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira (23) mostra que a avaliação da postura do presidente Jair Bolsonaro sobre a crise do novo coronavírus entre os brasileiros é pior que a de governadores e a do Ministério da Saúde.

Desde que a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou pandemia do novo coronavírus e houve um aumento considerável nos casos de covid-19 no Brasil, Bolsonaro classificou, por diversas vezes, como “histeria” os esforços de combate ao vírus que já matou mais de 12.780 em todo o globo. Também disse que “certos governadores” - numa referência a João Doria (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio) - estavam tomando medidas “extremas”.

Ele ainda descumpriu a orientação de isolamento e cumprimentou apoiadores, com apertos de mão e abraços, em frente ao Palácio do Planalto, quando a recomendação do Ministério da Saúde já era evitar esse tipo de contato e aglomerações de pessoas - também estimuladas por ele no mesmo dia.

Neste domingo, Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia em entrevista à TV Record, acusou os governadores de “exterminarem” empregos com as medidas restritivas e disse que “o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia na questão do coronavírus”.

Só que a pesquisa Datafolha mostra que a gestão feita por Bolsonaro sobre o coronavírus só é aprovada por 35% da população, enquanto 54% classificam o trabalho dos governadores como “bom ou ótimo” e 55% aprovam o trabalho do Ministério da Saúde, pasta de Luiz Henrique Mandetta.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
Protesto em São Paulo mostra colagem com imagem de Bolsonaro de máscara e frase dita pelo presidente: "a histeria prejudica e economia".

Ao ser questionado sobre a pesquisa nesta segunda-feira (23), em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente manteve o tom agressivo com a imprensa.

“Você está preocupada com popularidade minha ou do Mandetta? E você acredita no Datafolha? O presidente da República e seus ministros estão trabalhando há semanas para minimizar os efeitos do coronavírus. A vida das pessoas está em primeiro lugar. Agora a dose do remédio não pode ser excessiva, de modo que o efeito colateral seja mais danoso que o próprio vírus. Esse é o cerne da questão”, disse Bolsonaro.

“A imprensa é importantíssima para divulgar a verdade, mas não é com pergunta como essa, feita por essa senhora aqui do meu lado… é uma pergunta impatriótica, uma pergunta que vai na contramão do interesse do Brasil. Uma pergunta que leva ao descrédito a imprensa brasileira. Uma pergunta infame até. Vão dizer que estou agredindo a imprensa. Se estou agredindo, sai da frente do Alvorada”, completou o presidente.

A pesquisa ouviu 1.558 pessoas de 18 a 20 de março e foi feita por telefone para evitar contato com o público, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

Na entrevista à TV Record, Bolsonaro negou estar preocupado com os impactos da crise sobre sua popularidade, ao mesmo tempo que minimizou panelaços recentes realizados contra ele em várias cidades do país, alegando que eles foram incentivados pela TV Globo.

Na semana passada, o presidente foi alvo de panelaços em diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais, Pará e no Distrito Federal.