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01/08/2019 11:01 -03

Por decreto, Bolsonaro muda comissão que investiga mortes na ditadura militar

Alteração ocorre na semana em que presidente disse que sabia das circunstâncias da morte de desaparecido político.

ASSOCIATED PRESS

Dias após falar que sabia as circunstâncias da morte de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido durante a ditadura militar (1964-1986), o presidente Jair Bolsonaro alterou a composição da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

O colegiado havia reconhecido há uma semana que a morte de Santa Cruz foi provocada de forma “não natural, violenta e causada pelo Estado brasileiro”. Ele é pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. 

Relatório da Comissão da Verdade também aponta, a partir de documentos da Marinha e da Aeronáutica, que Fernando Santa Cruz foi preso e desapareceu enquanto estava sob custódia das Forças Armadas, em 1974. 

O decreto, publicado na edição desta quinta-feira (1) do Diário Oficial da União (DOU), altera quatro dos sete integrantes do colegiado e vem assinado pelo presidente e também pela ministra da Mulher, Damares Alves. 

Passam a compor a comissão: Marco Vinicius Pereira de Carvalho, Weslei Antônio Maretti, Vital Lima Santos e Filipe Barros Baptista de Toledo. Eles substituem respectivamente Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, Rosa Maria Cardoso da Cunha, João Batista da Silva Fagundes e Paulo Roberto Severo Pimenta.

Polêmicas em série

Na segunda-feira (29), o presidente disse, sem ser questionado sobre o assunto, que “um dia contará” ao presidente da OAB como o pai dele desapareceu. “Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele”, ironizou.

Horas depois, quando suas afirmações já repercutiam negativamente, seguiu com a polêmica e afirmou que a morte não foi provocada por militares, mas pelo “grupo terrorista” Ação Popular” do Rio de Janeiro.