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06/02/2020 17:59 -03 | Atualizado 10/02/2020 21:25 -03

Bolsonaro demite Canuto, e Rogério Marinho é promovido a ministro do Desenvolvimento Regional

Marinho foi um dos principais articuladores da reforma da Previdência, aprovada no Congresso no ano passado.

Adriano Machado / Reuters
Gustavo Canuto se tornou alvo de críticas de parlamentares depois de atrasos em repasses no programa Minha Casa, Minha Vida.

O presidenteJair Bolsonaro exonerou, na tarde desta quinta-feira (6), Gustavo Canuto do comando do Ministério do Desenvolvimento Regional. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.Rogério Marinho, até então na Secretaria Especial da Previdência, assume a vaga.

Segundo anunciou o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, Canuto, no entanto, segue no governo. Ele vai presidir o Dataprev. Sua missão será ajudar a reduzir as filas de pedidos de benefício no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

O ex-ministro se tornou alvo de críticas de parlamentares depois de atrasos em repasses no programa Minha Casa, Minha Vida. Desde o início desta semana, com a retomada dos trabalhos no Legislativo, ele passou a enfrentar ameaças de convocação para explicar os problemas nessas questões. 

Ricardo Moraes / Reuters
Rogério Marinho chefiará o Ministério do Desenvolvimento Regional no lugar de Canuto.

Além do programa habitacional, o MDR é responsável por outros projetos considerados importantes, de grande porte e influência municipal, como a obra de transposição do São Francisco. Especialmente em ano eleitoral, esses projetos ganham protagonismo entre políticos, e, por isso, para a pasta, avalia-se que é necessário um nome com bom trânsito político. 

Marinho ganhou destaque no último ano com a articulação da reforma da Previdência, aprovada no Congresso ano passado. Ex-deputado filiado ao PSDB, ele relatou a reforma trabalhista aprovada durante o governo de Michel Temer. 

Demissões

Canuto é o quinto ministro demitido por Bolsonaro. A primeira baixa foi Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral. Considerado braço direito do presidente, o advogado por demitido após desentendimentos com o filho de Bolsonaro, Carlos, que é vereador no Rio de Janeiro pelo PSC.

Em seguida, foi a vez de Ricardo Vélez Rodríguez, da Educação. Na época, o presidente afirmou que o casamento com o ministro não estava dando certo. “Está bastante claro que não está dando certo o ministro Vélez. É uma pessoa honrada, mas está faltando gestão. Na segunda-feira, vamos tirar a aliança da mão direita, ou vai para a esquerda ou vai para a gaveta.”

O terceiro foi Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. Neste caso, o ministro sofreu críticas públicas de aliados do presidente por mais de dois meses. A queixa, na época, era de que a ala militar, capitaneada por Santos Cruz, queria dominar o governo e freava a estratégia de comunicação que também recebia ordens do filho do presidente Carlos Bolsonaro.

O quarto foi o sucessor de Bebianno na Secretaria-Geral, Floriano Peixoto. Ele foi exonerado pelo presidente, mas imediatamente realocado na presidência dos Correios.