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18/03/2019 10:05 -03 | Atualizado 18/03/2019 11:12 -03

Nos EUA, Bolsonaro diz que sempre sonhou ‘em libertar o Brasil da ideologia nefasta de esquerda’

Ao lado de Steve Bannon, presidente enalteceu Olavo de Carvalho e afirmou que ‘antigo comunismo não pode imperar’.

Alan Santos/PR
Bolsonaro em Washington: "O Brasil não é um terreno aberto, onde nós pretendemos construir coisa para nosso povo. Nós temos que desconstruir muita coisa". 

Sentado ao lado de dois ícones da direita, o ex-estrategista de Donald Trump Steve BannonOlavo de Carvalho, o presidente Jair Bolsonarofez um discurso forte contra a esquerda no Brasil. Disse que, antes de construir qualquer coisa, é preciso desconstruir “muita coisa”.

“O nosso Brasil caminhava para o socialismo, para o comunismo, e quis a vontade de Deus que milagres acontecessem: a minha vida [em referência à recuperação do atentado à faca que sofreu no ano passado] e a eleição.”

Em sua primeira agenda nos Estados Unidos, no jantar oferecido no domingo (17) pelo embaixador brasileiro Sérgio Amaral, Bolsonaro disse ainda esperar ser pelo menos um ponto de inflexão para mudança. “Sempre sonhei em libertar o Brasil da ideologia nefasta de esquerda”, pontuou.

Também no discurso, Bolsonaro enalteceu a figura de Olavo de Carvalho. Afirmou que além de o guru o inspirar, ele inspira muitos jovens. “Em grande parte devemos a ele a revolução que estamos vivendo.”

Em grande parte devemos a Olavo de Carvalho a revolução que estamos vivendo.presidente Jair Bolsonaro

No sábado (16), no entanto, Olavo criticou o governo. “Se tudo continuar como está, já está mal. Não precisa mudar nada para ficar mal. É só continuar isso mais seis meses e acabou”, disse. Ele também disparou mais uma vez contra o vice-presidente Hamilton Mourão. Chamou o general de “idiota”, na frente do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Relações com Estados Unidos

Na presença de 7 ministros que formam a comitiva, o presidente disse que trabalhará para estreitar as relações com os Estados Unidos. “Quero o Brasil grande, como Trump quer os EUA grande. Tenho certeza que a partir desse princípio poderemos, sim, construir e pavimentar dias melhores para nossos povos.”

Bolsonaro também fez uma sinalização aos militares. “Nós sabemos que quando a diplomacia não dá muito certo, a retaguarda tem as Forças Armadas.” A declaração arrancou risos dos convidados. Em seguida, o presidente continuou: “O caminho é sempre o mesmo, parece até que estamos em lados opostos, mas é sempre o mesmo, o melhor para o nosso País.”

Nós sabemos que quando a diplomacia não dá muito certo, a retaguarda tem as Forças Armadas.presidente Jair Bolsonaro

O porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, reforçou as falas do presidente. Afirmou que Bolsonaro disse que quer “fortalecer o comércio, reconhecendo que os EUA são o segundo mercado para os produtos brasileiros, reconhecendo que a diplomacia de fortalecer a democracia neste lado do Ocidente é importante, reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar”. 

Leia trechos do discurso.

“Sempre tive muita admiração para com o povo americano. Para mim, em muitas coisas, sempre serviu como exemplo. (…)

Sempre sonhei em libertar o Brasil da ideologia nefasta de esquerda. (…)

Apesar de Olavo de Carvalho, o Brasil não é um terreno aberto, onde nós pretendemos construir coisa para nosso povo. Nós temos que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa, para depois começarmos a fazer. Que eu sirva para que... pelo menos eu possa ser um ponto de inflexão... já estou muito feliz. O nosso Brasil caminhava para o socialismo, para o comunismo e quis a vontade de Deus que milagres acontecessem: a minha vida e a eleição. (…)

Quero nesse encontro com Trump buscar maneiras de trabalharmos juntos para os nossos povos. Quero o Brasil grande, como Trump quer os EUA grande. Tenho certeza que a partir desse princípio poderemos, sim, construir e pavimentar dias melhores para nossos povos.”

Além da comitiva do presidente, de Bannon e de Olavo de Carvalho, participaram do jantar o acadêmico Walter Rusell Mead, a colunista do Wall Street Journal Mary Anastasia O’Grady e o editor da revista literária The New Criterion, Roger Kimball.

Agenda, Venezuela, China e OCDE

Nesta segunda-feira (18), Bolsonaro tem reuniões com o ex-secretário do Tesouro norte-americano Henry “Hank” Paulson e participa de cerimônia de assinatura de atos, além de jantar com executivos do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos. 

Nesta manhã, ele foi visitar a CIA, agência de inteligência americana. O encontro não consta na agenda oficial divulgada pelo Palácio do Planalto.

Também nesta segunda, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, terá um encontro com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, na Casa Branca. Eles irão discutir as relações com países como Venezuela, Nicarágua, Cuba, China e Irã. Também participa do encontro o assessor da presidência Filipe Martins.

No início de fevereiro, o vice-presidente Mike Pence já havia discutido com o Brasil as relações com a Venezuela. Diferentemente do que defende o governo americano, o Brasil não apoia intervenção no país vizinho.

A reunião de Augusto Heleno será um preparatório para a principal agenda de Bolsonaro. Na terça-feira (19), o presidente se reúne com o presidente Donald Trump. Em seguida, haverá uma coletiva de imprensa com os dois presidentes. Além das relações com a Venezuela, os dois devem conversar sobre apoio para o Brasil entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). 

Os EUA, no entanto, não se mostram simpáticos à ideia. O apoio seria fundamental para aumentar a credibilidade do Brasil junto a investidores.

Entre os anúncios, o Brasil deverá consolidar a isenção de vistos aos americanos, além de um acordo de salvaguardas tecnológicas para a utilização comercial da Base de Alcântara, no Maranhão. Para os EUA, o acordo garante economia de combustível para lançamento de satélites. Para o Brasil, a expectativa é que a aliança atraía investimentos no mercado de satélites.

Depois da reunião com Trump, Bolsonaro irá ao cemitério de Arlington, mais tradicional cemitério militar do país.