OPINIÃO
13/03/2020 14:03 -03 | Atualizado 13/03/2020 16:45 -03

'Banana' para quem, Sr. Presidente?

Ao anunciar que seu teste para o coronavírus deu negativo, Bolsonaro postou foto fazendo gesto que desrespeita todos que se preocupam com a doença.

Reprodução/ Twitter

O Brasil tem hoje, sexta-feira (13), 98 casos confirmados de Covid-19. O coronavírus já matou 4.613 pessoas em todo o mundo.

Líderes por todo o globo se preocupam e orientam suas populações sobre o avanço rápido e os riscos de contaminação.

E o que o presidente Jair Bolsonaro faz quando descobre que não está infectado pelo coronavírus?

Publica a informação juntamente com uma foto sua fazendo o gesto de “banana”.

O que queria dizer Bolsonaro com isso? “Danem-se vocês, não tenho coronavírus”?

Que maravilha ter um presidente tão empático com a população que está preocupada - e com razão - com o avanço da doença. Ou mais ainda: um presidente que tem tanta consideração com quem, ao contrário dele, está infectado. (Esse parágrafo contém ironia, que fique claro)

Diante do histórico (e da foto recuperada, na qual dirigia a “banana” aos jornalistas), pode-se depreender que novamente o ataque no post era contra a imprensa.

Mas veja bem, presidente, acho que temos um problema aqui. Salvo raras exceções, a “grande mídia” esperou o resultado ser divulgado pelo senhor para noticiar que o teste deu negativo.

A Fox News, rede americana festejada pelo seu amigo Donald Trump e também pelo seu clã, foi uma exceção a isso. Divulgou que o teste havia dado positivo - citando, olha só, o seu filho Eduardo como fonte.

Feita essa ressalva, volto ao que mais escandaliza nisso tudo: a sua negligência, a sua falta de empatia, a sua irresponsabilidade.

O mundo e o país inteiro estão sob alerta. As pessoas estão se protegendo como podem. Compram álcool gel, máscaras, estão mudando a rotina do trabalho e dos filhos. Estão evitando aglomerações. Estão, muitas delas, efetivamente com medo. A taxa de mortalidade pode chegar a 14% em idosos.

Mas o senhor, que, na terça-feira, classificou o rápido alastramento do coronavírus como “fantasia” e invenção da “mídia”, ainda acha que é mais urgente usar este momento crucial para atacar a imprensa do que cumprir seu papel de presidente. Ou ser, no mínimo, respeitoso com a população.

O senhor perdeu uma boa oportunidade de endereçar a nação sobre um problema que é, sim, grave.

Do lado de cá, da realidade, nós, jornalistas, continuaremos desempenhando o nosso papel de informar com responsabilidade, em meio a uma pandemia.

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