NOTÍCIAS
29/05/2020 11:15 -03

Bolsonaro diz 'esperar' que ninguém do STF 'desapareça', mas que Aras seria nome para outra vaga

Nesta sexta, em meio a ataques contra inquérito do STF, presidente condecorou Aras e Weintraub com Ordem do Mérito Naval, prevista para quem presta 'relevantes serviços à Marinha'

EVARISTO SA via Getty Images

Depois de subir o tom contra ministros do Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro disse, na noite de quinta-feira (28), esperar “que ninguém ali desapareça”, mas que o procurador-geral Augusto Aras seria um nome forte para sua indicação caso surgisse uma “terceira vaga” no STF. Na manhã desta sexta (29), Bolsonaro condecorou Aras – e também o ministro da Educação, Abraham Weintraub – com a Ordem do Mérito Naval.

“Sobre o Augusto Aras: se aparecer uma terceira vaga, eu espero que ninguém ali desapareça, mas o Augusto Aras entra fortemente na terceira vaga”, disse ele em entrevista à rádio Jovem Pan, também transmitida ao vivo no Facebook do presidente.

“Está tendo uma atuação, no meu entender, excepcional, em especial numa coisa que o pessoal não dá muito valor, nas pautas econômicas. Ele procura cada vez mais defender o livre mercado, defender o governo federal nessas questões que muitas vezes nos amarram”, acrescentou o presidente.

Aras foi indicado por Bolsonaro ao comando da Procuradoria-Geral da República no ano passado, ignorando a lista de 3 procuradores aptos para assumir o posto apresentada pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Nesta semana, após operação da Polícia Federal atingir militantes bolsonaristas e apoiadores do presidente, Aras pediu a suspensão do inquérito do STF relacionado ao caso.

O procurador-geral também se manifestou nesta quinta-feira contra o pedido feito por três partidos pela apreensão do telefone celular do presidente  Bolsonaro e de seu filho Carlos. Segundo informou a Procuradoria-Geral da República, Aras disse que não cabe a siglas partidárias pedirem diligências no âmbito de inquéritos. 

Durante seu mandato, até janeiro de 2023, Bolsonaro deverá indicar dois nomes ao STF quando ocorrer a aposentadoria dos ministros Celso de Mello, em novembro deste ano, e Marco Aurélio Mello, em março de 2021. A próxima vaga seria de Ricardo Lewandowski, apenas em maio de 2023.

“Tem uma vaga prevista para novembro, outra para o ano que vem. O senhor Augusto Aras, nessas duas vagas, não está previsto o nome dele. Eu costumo dizer que eu tenho três nomes, que não vou revelar, que eu namoro para indicar para o Supremo Tribunal Federal. Um vai ser evangélico, é um compromisso que eu tenho com a bancada evangélica.”

Nesta sexta, segundo o jornal O Globo, Bolsonaro também concedeu a Ordem do Mérito Naval para Aras e para três ministros: Abraham Weintraub (Educação), Jorge Oliveira (Secretaria de Governo) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo). Entre os agraciados também estão os deputados federais Hélio Lopes (PSL-RJ) – seu amigo, Hélio Negão – e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP). 

Criada por decreto em 1934, a Ordem do Mérito Naval se destina a premiar “militares da Marinha que se tenham distinguido no exercício de sua profissão e, excepcionalmente, corporações militares e instituições civis, nacionais e estrangeiras, suas bandeiras ou estandartes, assim como personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras, que houverem prestado relevantes serviços à Marinha”.

Aras atualmente conduz o inquérito que tramita no Supremo que investiga se Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal, após acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Weintraub e Orleans e Bragança foram alvo das operações da PF nesta quarta.

Bolsonaro baixa o tom

Na transmissão, o presidente voltou a comentar a operação da véspera que envolveu apoiadores suspeitos de disseminação de fake news, mas procurou aliviar um pouco o tom das críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal.

“Eu não quero brigar com Poder nenhum. Respeito todos os Poderes, mas a recíproca tem que ser verdadeira.”

Pela manhã, ao falar a operação da Polícia Federal determinada pelo ministro do STF Alexandre Moraes, Bolsonaro havia dito a jornalistas que não haverá mais um dia como o da véspera. “Acabou, porra!”

“Não teremos outro dia igual ontem. Chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro os meus compromissos no juramento que fiz quando assumi a Presidência da República. Respeito o Supremo Tribunal Federal, respeito o Congresso Nacional, mas para esse respeito continuar sendo oferecido da minha parte, tem que respeitar o poder Executivo também”, disse na manhã de quinta.

Na transmissão à noite, o presidente disse reconhecer que tem quem sofra com as fake news, mas defendeu que impor limites pode levar à implantação da censura no país.

“Eu sei que muita gente sofre com fake news ― da minha parte, aqui, eu mato no peito... Mas, se você quiser, no meu entender, botar um limite, não sabe até onde vai essa linha do limite. Ela pode vir muito próxima, e daí está imposta a censura no Brasil.”

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost