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31/07/2019 10:14 -03

Bolsonaro, em tom de ameaça a Adélio, diz que a ‘história pode se repetir, como no caso Celso Daniel’

Adélio, autor da facada em Bolsonaro, foi considerado inimputável, ou seja, isento de penalidade por ter doença psiquiátrica.

Adriano Machado / Reuters
“Como eu não recorri, agora ele é maluco até morrer", disse Bolsonaro sobre Adélio.

O presidente Jair Bolsonaro postou em seu Twitter, na manhã desta quarta-feira (31), uma mensagem em tom de ameaça a Adélio Bispo, que desferiu um golpe de faca contra o mandatário em setembro do ano passado. O recado está dirigido também à família do agressor.

“Como eu não recorri, agora ele é maluco até morrer. Estou sabendo que ele está aloprando já lá. Abre a boca!”, fala o presidente no vídeo que acompanha o post.

Ao mencionar Celso Daniel, o presidente refere-se ao crime cometido em 18 de janeiro de 2002, quando o então prefeito de Santo André, região metropolitana de São Paulo, foi assassinado. Uma das hipóteses é que tenha sido um crime político. O inquérito ainda não foi concluído. 

Há integrantes da família do ex-prefeito e rumores no mundo político que dão conta de que Celso Daniel tinha em mãos um dossiê sobre corrupção na prefeitura de Santo André. A versão foi questionada pelo irmão, João Francisco (PT), que fazia oposição a ele. Em 2012, com a delação de Marcos Valério, no embalo do mensalão petista, o caso ganhou novos contornos com a informação de que Daniel administrava um esquema de propina no município. 

Adélio foi considerado inimputável, ou seja, isento de penalidade por ter doença psiquiátrica, e ficará em um manicômio.

Polemizando sem receios

Essa semana, Bolsonaro já causou polêmica ao comentar o caso na porta do Palácio da Alvorada. Questionado sobre o desfecho do caso, criticou a atuação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil): “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados [do Adélio]? Qual a intenção?”

Em seguida, porém, espontaneamente, mudou de assunto, e atacou o presidente da entidade, Felipe Santa Cruz. Disse que contaria, caso ele se interessasse, como seu pai morreu durante a ditadura.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto pra ele”.

Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira desapareceu no período da ditadura (1964-1985). Seu atestado de óbito foi incluído no sistema da Comissão de Mortos e Desaparecidos.

Ainda na segunda, o presidente disse que o pai do presidente da OAB foi morto pelo “grupo terrorista” Ação Popular do Rio de Janeiro. Já na terça (30), questionou a legitimidade da Comissão da Verdade. “Você acredita em Comissão da Verdade”. O colegiado está atualmente sob a alçada do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, com Damares Alves.

Ao O Globo, na edição desta quarta, Jair Bolsonaro afirmou que não se arrepende de suas declarações, mesmo com a repercussão negativa delas e que não vai repensar o próprio comportamento. 

Sou assim mesmo. Não tem estratégia. Se eu tivesse preocupado com 2022 não dava essas declarações.Jair Bolsonaro, presidente

Adélio inimputável

A 3ª Vara de Juiz de Fora, Minas Gerais, decidiu que não caberiam mais recursos na decisão que inocentou Adélio Bispo do ataque contra Bolsonaro durante a campanha eleitoral do ano passado. A defesa do presidente não apresentou recursos, e por isso o caso foi encerrado.

Devido à facada, o Jair Bolsonaro precisou se submeter a duas cirurgias, uma logo após a facada e outra, já depois de tomar posse.