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28/08/2019 09:47 -03 | Atualizado 28/08/2019 09:53 -03

Bolsonaro diz que países da região vão se reunir para discutir políticas para Amazônia

Presidente voltou a exigir desculpas de Macron para Brasil aceitar ajuda financeira para combater incêndios na Amazônia.

ASSOCIATED PRESS
In this handout photo released by the government news agency Agencia Brasil, Brazil's President Jair Bolsonaro, center, talks with the reporters outside the presidential official residence Alvorada Palace, in Brasilia, Brazil, Tuesday, Aug. 27, 2019. Bolsonaro on Tuesday said Brazil will only accept an offer of international aid to fight Amazon fires if French leader Emmanuel Macron retracts comments that he finds offensive. (Antonio Cruz/Agencia Brasil via AP)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira a realização de uma reunião para tratar de políticas para a Amazônia entre os países da região, com exceção da Venezuela, que deve acontecer no dia 6 de setembro em Letícia, cidade colombiana na fronteira com o Amazonas.

O presidente também revelou, após breve encontro com o presidente do Chile, Sebastian Piñera, que o Brasil aceitou receber quatro aviões chilenos para ajudar no combate às queimadas na Amazônia.

Bolsonaro ainda voltou a dizer que só conversará com o governo francês sobre ajuda à Amazônia se o presidente do país, Emmanuel Macron, se retratar por tê-lo chamado de mentiroso e por ter “relativizado a soberania brasileira na Amazônia”.

Bolsonaro já tinha exigido desculpas de Macron na véspera para aceitar a ajuda de 20 milhões de dólares que o G7 ofereceu ao Brasil, mas ao longo do dia, criticado por parlamentares e pressionado pelos governadores da região, disse que aceitaria o dinheiro com a condição de o Brasil decidir onde e como seria usado.

“No tocante ao governo francês, o fato de me chamar de mentiroso e por duas vezes ter dito que a soberania do Brasil tem que ser relativizada, somente depois de ter se retratado do que falou sobre a minha pessoa, que representa o Brasil, e bem como o espírito patriótico do povo brasileiro, que não aceita essa relativização da soberania da Amazônia. Em havendo isso, daí sem problemas voltamos a conversar”, disse Bolsonaro depois de encontro com Piñera, que parou em Brasília após participar como convidado do encontro do G7 em Biarritz (França).

Bolsonaro voltou a criticar Macron, a quem acusou de querer “se capitalizar” aparecendo como único defensor da Amazônia.

“Essa inverdade do Macron ganhou força porque ele é de esquerda e eu sou de centro-direita”, disse Bolsonaro.

Ao ser lembrado que, na verdade, o presidente francês pertence a uma coalizão de centro na França, Bolsonaro respondeu ao jornalista que, para ele, Macron não era e, irritado, encerrou a entrevista. Já o partido do presidente brasileiro é considerado de extrema-direita.

De acordo com declaração conjunta publicada pelo Ministério de Relações Exteriores brasileiro, Bolsonaro e Piñera “afirmaram sua opinião comum de que os desafios ambientais devem ser tratados respeitando a soberania nacional e ressaltaram a importância de implementar os mecanismos multilaterais existentes”.

Ainda de acordo com o texto, os dois chefes de Estado afirmaram que ”é valioso e importante buscar também formas de cooperação bilateral e apoio financeiro internacional para contribuir no combate aos incêndios e na proteção das florestas tropicais da Amazônia, compatíveis com as políticas nacionais e complementares aos mecanismos multilaterais”.