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02/07/2020 12:45 -03

Bolsonaro diz que atua para 'desfazer opiniões distorcidas' da UE sobre Amazônia e índios

Declaração foi dada em reunião do Mercosul; Europeus enfrentam pressão para não fechar acordo de livre comércio com o bloco devido ao comportamento do Brasil sobre esses temas.

SERGIO LIMA via Getty Images
Bolsonaro recebe representantes indígenas durante cerimônia de hasteamento da bandeira em fevereiro, no Alvorada.

O presidenteJair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (2) durante reunião do Mercosul que seu governo atua para desfazer “opiniões distorcidas” sobre o país em temas como proteção da Amazônia e índios, e fez um apelo para que os presidentes dos países do bloco sul-americano instruam negociadores a finalizar os textos para a assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia ainda neste semestre.

“Os históricos acordos selados em 2019 com a União Europeia e a Associação Europeia evidenciam que estamos no caminho certo. Apelo a todos os presidentes para que, como eu mesmo fiz, instruam os seus negociadores a fecharem os textos. Atuemos com o firme propósito para deixá-los prontos para assinatura neste semestre”, disse.

“Ao mesmo tempo, nosso governo dará prosseguimento ao diálogo, com diferentes interlocutores, para desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil e expor as ações que temos tomado em favor da proteção da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas”, completou ele, durante reunião virtual do Mercosul.

Sob Bolsonaro, o Brasil tem sido duramente criticado na proteção da Amazônia e no cuidado com a população indígena.

Grupos de direitos humanos e ambientalistas também têm pressionado a União Europeia para que não feche o acordo de livre comércio por conta das políticas do Brasil em relação a esses dois temas.

Na quarta-feira, números do governo mostraram que o número de focos de incêndio na Floresta Amazônica do Brasil aumentou 20% em junho e atingiu o nível mais alto em 13 anos para este mês, e pesquisadores temem que o fato sinalize uma repetição do aumento de incêndios florestais do ano passado.

O presidente disse que quer levar adiante negociações em aberto para eventuais acordos do Mercosul com o Canadá, a Coreia do Sul, Cingapura e o Líbano, expandir acordos vigentes com Israel e a Índia e abrir novas frentes na Ásia. “Temos todo interesse de buscar tratativas com países da América Central”, mencionou.

Em seu discurso, Bolsonaro elogiou a presidência temporária do bloco exercida por Mario Abdo, presidente do Paraguai, por ter feito a reestruturação interna do Mercosul. Ele defendeu o retorno da Venezuela ao caminho da liberdade.

“Não poderia encerrar sem fazer menção à Venezuela, na expectativa que retorne o quanto antes o caminho da liberdade. Nesse mesmo espírito, de valorização da democracia, lamento que o governo da presidente Janine Áñez (da Bolívia), contrariamente à vontade do Brasil, não tenha podido participar de nosso trabalho ao longo do semestre. Continuemos todos a defender, de modo incansável, o compromisso do Mercosul com a democracia”, disse.