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23/07/2019 13:16 -03 | Atualizado 23/07/2019 13:21 -03

'Amo o Nordeste', diz Bolsonaro em tentativa de se redimir com os nordestinos

"Não estou em Vitória da Conquista, não estou na Bahia, nem no Nordeste. Estou no Brasil. Não há divisão entre nós", disse o presidente.

Adriano Machado / Reuters
Na sexta (19), o presidente se referiu aos nordestinos como “paraíba”.

Depois de desrespeitar os nordestinos, o presidente Jair Bolsonaro tentou se redimir em seu discurso na inauguração do aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, Bahia.

“Eu amo o Nordeste. Afinal de contas, minha filha tem em suas veias sangue de cabra da peste. Cabra de Cratéus, o nosso estado aqui, mais pra cima, o nosso Ceará. Quem é nordestino aqui levanta o braço. Quem concorda com o presidente Jair Bolsonaro levanta o braço. Tamo junto ou não tamo (sic)?”, declarou o presidente em uma breve fala. 

Na sexta (19), o presidente se referiu aos nordestinos como “paraíba”. “Daqueles governadores de... “paraíba”, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, disse ele ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O áudio foi captado pelos microfones.

No Rio de Janeiro, berço político de Bolsonaro, “paraíba” é usado de forma jocosa para falar de oriundos do Nordeste. No sábado (20), o presidente minimizou; disse que sua “crítica” era unicamente direcionada aos governadores da Paraíba e do Maranhão por “esculhambarem obras federais”.

Nesta terça, Bolsonaro aproveitou também para agradecer aos prefeitos de Salvador, ACM Neto (DEM), e de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão (MDB), que o receberam na porta do avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Também lamentou a ausência do governador baiano, Rui Costa (PT), afirmando não ter preconceito sobre partidos, mas disse que não aceita quem deseja “impor a nós o socialismo ou o comunismo”.

Não foi apenas o petista quem se recusou a ir ao evento, também faltaram o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Nelson Leal (PP), e a filha do cineasta baiano Glauber Rocha, homenageado no nome do aeroporto, Paloma Rocha, além de aliados do petista.

Com a expectativa de uma recepção repleta de manifestações, o evento não foi transmitido pela TV Brasil, a emissora pública responsável pela cobertura de todas as cerimônias presidenciais. 

Inicialmente, havia a intenção de blindar o presidente contra manifestações programadas por movimentos sociais. Contudo, a multidão favorável que compareceu nas proximidades do aeroporto surpreendeu. Ele foi recebido e ovacionado aos gritos de “mito”. 

Apesar da ausência da Polícia Militar, cuja atuação foi impedida pelo governador Rui Costa, o presidente fez questão de aparecer do lado de fora do aeroporto - o que não estava previsto - e chegou a se aproximar da grade que o separava as pessoas. 

“Não estou em Vitória da Conquista, não estou na Bahia, nem no Nordeste. Estou no Brasil. Não há divisão entre nós: [divisão por] sexo, raça, cor ou religião. Somos um só povo com um só objetivo: colocar esse grande país em um lugar de destaque que merece”, completou o presidente no discurso. 

Dentro do saguão onde ocorreu a cerimônia formal, Bolsonaro falou para um público de cerca de 600 pessoas, a maioria convidada pela própria Presidência.