POLÍTICA
07/05/2019 09:14 -03 | Atualizado 07/05/2019 14:45 -03

‘Página virada’: Com elogios a Olavo, Bolsonaro diz esperar o fim de conflito com militares

Guru ideológico do governo eleva o tom das críticas aos militares; Generais rebatem: ‘desequilibrado’. Impasse segue nas redes sociais.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images
No Twitter, Bolsonaro afirmou que a obra de Olavo contribuiu para ele vencesse as eleições.

Depois de três dias de ataques do guru ideológico do governo Olavo de Carvalho e seus seguidores ao ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, e de troca de farpas com militares, o presidente Jair Bolsonaro decidiu intervir.

No Twitter, afirmou que “espera [que os desentendimentos públicos contra militares] seja uma página virada por ambas as partes”.

Na mensagem, o presidente defende Olavo. Diz que ele se tornou um ícone por “seu trabalho contra a ideologia insana que matou milhões no mundo e retirou a liberdade de outras centenas de milhões” é reconhecida por ele.

Afirmou ainda que a obra de Olavo contribuiu para ele vencesse as eleições. “Continua admirando Olavo”, disse.

Na segunda-feira (6), questionado sobre o conflito entre as duas alas do governo, o presidente afirmou que não existia grupos, que todos eram um só time. 

Ele, no entanto, admitiu a rixa a jornalistas. “Estamos em uma guerra. Eles [militares], melhores do que vocês, estão preparados para uma guerra”.

 

Desentendimento 

Olavo afirma que fez um elogio ao general Santos Cruz, disse que ele era um dos poucos que lhe pareciam confiáveis no governo, e em troca foi xingado. Em entrevista, o general o chamou de desequilibrado. Na época em que o comentário foi feito, Olavo já havia elevado o tom das críticas aos militares.

Na entrevista, Santos Cruz reclamou do linguajar chulo e dos palavrões de Olavo. Recentemente, Olavo chamou os militares de “cagões”.

Os problemas dos olavistas com os militares se dá basicamente com os freios que eles têm imposto ao presidente. 

Com Santos Cruz, por sua atuação na comunicação presidencial, é principalmente porque tenta frear excessos, muitas vezes vindas da própria família Bolsonaro.

Os ataques ao general fizeram com que o ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional, general Villas Boas também partisse para cima de Olavo. 

No Twitter, o general chamou o “guru” de “verdadeiro Trotsky de direita” e disse que, no momento em que o país busca coesão, Olavo age no sentido de acentuar as divergências.

Na noite de segunda-feira (6), Olavo rebateu as críticas: “A quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro”.

Ele afirmou que está com Bolsonaro até o fim.

 

Impasse sem prazo para terminar

Apesar do apelo de Bolsonaro para que o assunto seja página virada, as críticas de Olavo continuam. Nesta terça-feira, o guru publicou um texto do site Crítica Nacional com mais críticas ao general. De acordo com o site, a diretoria da Apex estava sob risco de exoneração por ingerência de Santos Cruz.

A direção citada no texto foi demitida pelo novo presidente da Apex, Sérgio Segovia, contra-almirante na Marinha — indicado por Santos Cruz para o cargo. 

Letícia Catelani demitida do cargo de diretora de Negócios é ex-aluna de Olavo de Carvalho. Ela foi indicada para o cargo pelo chanceler Ernesto Araújo, ligado ao guru ideológico.

A demissão dela e de Márcio Coimbra, diretor de Gestão Corporativa, acirra a disputa entre os dois grupos. Nesta terça-feira, ela afirmou que está pagando o preço por ter combatido a corrupção.

O movimento pela manutenção dela no cargo é um dos assuntos mais comentados no Twitter na manhã desta terça-feira.