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15/11/2019 17:36 -03 | Atualizado 15/11/2019 17:40 -03

Por pacificação da Bolívia, Evo Morales se diz disposto a não disputar eleição em 2020

Ex-presidente está asilado no México desde que renunciou e disse que poderia voltar ao país como cidadão comum ou militante.

Edgard Garrido / Reuters
Former Bolivian President Evo Morales looks on during an interview with Reuters, in Mexico City, Mexico November 15, 2019. REUTERS/Edgard Garrido

O ex-presidente de Bolívia, Evo Morales, disse nesta sexta-feira (15) que está disposto a não participar de novas eleições, uma vez que o governo de transição iniciou um diálogo com a oposição para tentar resolver a crise política no país.

“Temos que chegar a pacificar a Bolívia”, disse o ex-presidente em entrevista à Reuters na Cidade do México, onde está asilado desde que renunciou no domingo passado (10), depois de ser alvo de repressão das Forças Armadas.

Após quase 14 anos de governo, Evo Morales renunciou à presidência no último domingo (10). Nas últimas semanas, a Bolívia vivia uma intensa crise após o governo ser suspeito de fraudar as últimas eleições que aconteceram em outubro e reelegeram Morales em primeiro turno.

Morales afirmou que se a Assembleia aprova sua renúncia à Presidência poderia voltar ao país como cidadão comum ou militante.

Em suas redes sociais, o ex-presidente pede instalação do “diálogo nacional” para garantir o retorno da Bolívia à pacificação. 

Apesar de as novas eleições ainda não terem data para ocorrer - possivelmente antes de 22 de janeiro -, a presidente interina, Jeanine Áñez, já adiantou que Morales não poderá participar, uma vez que foi acusado de fraude na votação de 20 de outubro. 

Retomando o ritmo normal

Enquanto isso, na Bolívia, a cidade que é sede do governo, La Paz, começa a recuperar lentamente a tranquilidade após o governo de transição dar início ao um diálogo com a oposição, parlamentares do ex-presidente Evo Morales desde quinta (14), para destravar a grave crise política.

Apesar de não haver mais cenas de confrontos nas ruas da cidade, as escolas seguem fechadas e ainda há escassez de combustível devido a interrupções no abastecimento.

“Esta é uma etapa de transição. Vamos fazer os maiores esforços para que o país retorne à normalidade”, disse a jornalistas nesta sexta-feira a presidente interina, Jeanine Áñez.

De qualquer forma, o início de consenso alcançado no Congresso, onde foram escolhidas novas lideranças - de oposição a Morales -, pode ser o primeiro passo para que o chamamento às novas eleições se concretize. 

A crise foi deflagrada depois das denúncias de sérias irregularidades nas eleições de outubro, confirmadas por um relatório da OEA (Organização dos Estados Americanos).

Na tarde do domingo, o chefe das Forças Armadas, Williams Kaliman, fez um pronunciamento pedindo a renúncia de Morales.

Morales deixou o cargo no fim do dia. Ministros de seu governo, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e os presidentes da Câmara e do Senado também apresentaram a renúncia do cargo. Aliados de Morales denunciaram uma perseguição política e excessos na repressão.

Fora Venezula

A Chanceler boliviana, Karen Longaric, afirmou nesta sexta que todos os funcionários da embaixada da Venezuela serão expulsos do país nas próximas horas. “A chancelaria vai dar o prazo correspondente a todos os funcionários da Embaixada de Venezuela para que abandonem o país por ter se envolvido em assuntos internos do Estado”, disse a jornalistas, em La Paz.

“Mas além disso, nós iremos um pouco além, lhes peço que tenham um pouco de paciência, isso vai ocorrer no decorrer das próximas horas”, acrescentou, sem dar mais detalhes.

(Com informações da Reuters.)