COMPORTAMENTO
03/03/2019 13:27 -03 | Atualizado 03/03/2019 13:35 -03

Bloco da Mari: Este é o melhor bloquinho do Carnaval de Salvador

6 cadeirantes (com muita purpurina) decidiram mostrar como ser feliz no Carnaval de Salvador.

Reprodução/Instagram
Bloco da Mari ensina que o Carnaval pode ser, sim, uma festa democrática.

Por muito tempo, o Carnaval em Salvador foi considerado uma festa que segregava pessoas. De um lado, um grupo de foliões conseguia vestir um abadá, ficar próximo ao trio em uma zona “segura”. De outro, quem ia para a rua, fora da corda, cometia uma “loucura” ao se expor aos riscos da violência. O preconceito pedia a proteção de um abadá, de um camarote.

Nos últimos anos, entretanto, os baianos têm feito o possível para mudar essa percepção do Carnaval de rua da cidade. A pipoca, na liberdade da rua, se tornou cada vez mais ponto de encontro de soteropolitanos buscando a comunhão em meio à folia.

Esse é o caso da designer Mari Fuso, de 24 anos, uma das mais animadas foliãs da pipoca deste ano. A jovem baiana é cadeirante, mas nem por isso deixa de curtir a festa. O Bloco da Mari, que acontece há 5 anos na folia baiana, está aí para provar isso. 

Com ajuda de uma rede de apoio de amigos e familiares, não só Mari, mas outros 5 deficientes, resolveram mostrar que o Carnaval é sim uma festa de todos. 

E olha só como a magia acontece. De cima do trio elétrico, o cantor Saulo (ex-Banda Eva) dá o recado e organiza o bloco: “Abre o corredor bem fundo. Abre, abre, pode abrir. O bloco da Mari está protegido. Agora vai”.

O resultado? Mari, sua cadeira de rodas e seus amigos literalmente envolvidos na mais pura alegria de carnaval.

O vídeo da foliã baiana sendo levantada por uma multidão no meio da pipoca está fazendo o maior sucesso nas redes sociais neste Carnaval.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a jovem compartilha que está emocionada. “A gente não esperava essa repercussão. Saímos na pipoca há 5 anos e eu estou muito feliz de verdade. Sou fã do Saulo há 10 anos”, conta.

Para ela, além de curtir a festa, estar na rua é uma oportunidade de dar visibilidade às batalhas de quem é deficiente e depende de uma cadeira de rodas todos os dias.

“A gente mostra que a gente consegue, que é possível. Que o Carnaval é para todo mundo, mesmo.”

Em um vídeo publicado no Youtube em 2017, quando aconteceu a terceira edição do Bloco da Mari, Isabela Medeiros, uma das organizadoras, explica um pouco do processo que é levar esses foliões tão especiais para a rua. 

“O bloco começa bem antes do Carnaval, com toda a preparação da estrutura. É muita ansiedade, mas quando chega o dia… Faço questão de ir todos anos.”

No mesmo vídeo, Carol Andrade, outra organizadora, comenta do envolvimento de todos para o Bloco da Mari acontecer.

“Trazer a Mari pra rua é incrível. São varias sensações envolvidas. Quando Saulo manda abrir o corredor, ela olha pra gente com um olhar… Ela é feliz ali mesmo. A gente faz a roda de amigos, se diverte e ninguém se machuca.”

Nos Instagram, Mari Fuso faz questão de mostrar a alegria de quem tem a certeza que merece não só curtir o Carnaval, mas conquistar tudo o que quiser.

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