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13/01/2019 07:23 -02 | Atualizado 13/01/2019 11:17 -02

Cesare Battisti, foragido desde dezembro, é preso na Bolívia pela Interpol

Temer havia determinado a extradição do italiano em dezembro.

HuffPost Brasil
Cesare Battisti, após ser preso pela Interpol na Bolívia

O italiano Cesare Battisti foi preso em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, no fim da tarde de sábado (12) por uma equipe da Interpol formada por investigadores italianos.

Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Battisti, 64, foi detido enquanto caminhava por uma rua de Santa Cruz, com uma barba falsa, mas um documento brasileiro com seu nome verdadeiro. O italiano estava sozinho e não resistiu à prisão. 

A polícia italiana divulgou, pelo Twitter, um vídeo que mostra Battisti caminhando, com o disfarce, antes da prisão.

Battisti era considerado foragido desde 14 de dezembro, quando o então presidente Michel Temer assinou seu decreto de extradição. Ele foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos nos anos 1970, quando integrava o grupo Proletariados Armados pelo Comunismo, braço das Brigadas Vermelhas. Ele se declara inocente.

Segundo a polícia italiana, a equipe da Interpol seguiu para a Bolívia ainda antes do Natal, depois de receber informações sobre o possível paradeiro de Battisti.  

 

Para a Itália, mas a partir de onde? 

Os próximos passos ainda não estão tão claros. Segundo a agência AFP, o governo italiano já teria enviado um avião à Bolívia para levar Battisti ao País.

O governo Bolsonaro dá sinais de que ainda tenta trazê-lo ao Brasil para que a extradição seja feita a partir daqui - o que cumpriria uma das promessas de campanha do novo presidente. 

Alguns caminhos seriam possíveis. O mais difícil deles é que a Itália faça um novo pedido de extradição, desta vez à Bolívia, e que o governo de Evo Morales, de esquerda, aceite.

Outro caminho é a deportação de Battisti - já que ele provavelmente entrou ilegalmente na Bolívia - direto para a Itália, devido à sua nacionalidade. Há quem defenda, no entanto, que essa deportação deve ser feita ao Brasil, já que ele saiu daqui e também possui documentos brasileiros.

Na manhã deste domingo, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse, pelo Twitter, que o Ministério da Justiça e o Itamaraty “estão tomando todas as providências necessárias, em cooperação com os governos da Bolívia e da Itália, para cumprir a extradição de Battisti e entregá-lo às autoridades italianas”. 

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, que havia confirmado a prisão em seu Twitter na madrugada de domingo, havia dito que “em breve [Battisti] será trazido para o Brasil, de onde provavelmente será levado até a Itália para que ele possa cumprir pena perpétua, de acordo com a decisão da justiça italiana”. 

Bolsonaro e governo italiano comemoram 

O presidente Jair Bolsonaro comemorou, pelo Twitter, na manhã deste domingo (13) a prisão, e aproveitou para atacar o PT: “Finalmente a justiça será feita ao assassino italiano e companheiro de ideais de um dos governos mais corruptos que já existiram no mundo (PT)”. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia negado a extradição a Battisti quando estava no poder.  

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, também celebrou pelas redes sociais. Com uma montagem que mostra Battisti numa praia, Salvini escreveu: “Acabou a bendição”. 

Em seu post no Facebook, ele agradeceu “de coração ao presidente Jair Bolsonaro e ao novo governo brasileiro que mudou o clima político que permitiu essa prisão”. 

O embaixador italiano no Brasil, Antonio Bernardini, também marcou Bolsonaro, seu filho Eduardo e Araújo no post de celebração. “Battisti está preso! A democracia é mais forte que o terrorismo!!”, escreveu.

Pedidos de extradição no Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux havia determinado a prisão de Battisti, que estava desde 2004 no Brasil, em 13 de dezembro. 

A Itália fez o primeiro pedido de extradição em 2007. Battisti foi preso naquele ano no Brasil, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) postergou a decisão enquanto pôde.

Em 2009, o STF autorizou a extradição em uma decisão não vinculativa, que dava a palavra final ao presidente. No seu último dia de mandato, em 2010, Lula determinou que Battisti ficasse no País - ato confirmado depois pelo STF.

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, já havia dito que faria “tudo o que fosse legal” para extraditá-lo, quando assumisse o poder.

ASSOCIATED PRESS
Polícia Federal divulgou possíveis disfarces de Battisti em dezembro.