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14/01/2019 09:34 -02 | Atualizado 14/01/2019 09:57 -02

Cesare Battisti chega a Roma, onde ficará isolado em prisão

Italiano cumprirá prisão perpétua e os 6 primeiros meses serão de isolamento diurno.

Reprodução / Facebook

Cesare Battisti chegou a Roma na manhã desta segunda-feira (13), após ter sido preso na Bolívia no sábado (11). O italiano foi levado em um avião que o governo italiano havia enviado a Santa Cruz de La Sierra no domingo.

De acordo com o jornal italiano Corriere Della Sera, Battisti ficará sozinho em uma cela na prisão de Rebibbia, nos arredores da capital italiana, e, nos primeiros 6 meses, ficará isolado dos demais presos durante o dia. O local de alta segurança, onde cumprirá prisão perpétua, é reservado para terroristas.

Battisti foi preso na tarde de sábado (12) em Santa Cruz de La Sierra por uma equipe da Interpol enquanto andava pela rua. Ele portava um documento brasileiro com seu nome verdadeiro e usava uma barba falsa. 

O italiano estava foragido desde dezembro, quando o ex-presidente Michel Temer assinou o seu decreto de extradição. Entregar Battisti à Itália era uma das promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro. 

No domingo, antes de Battisti embarcar da Bolívia para a Itália, o governo brasileiro chegou a afirmar que o italiano passaria pelo Brasil. A Polícia Federal enviou um avião de pequeno porte para trazê-lo ao Brasil. Ele teria que trocar de aeronave no Brasil, então, para ser enviado à Itália. 

No entanto, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, declarou hora depois que Battisti voaria direto para Roma. A versão foi confirmada pelo ministro de Interior da Bolívia, Carlos Romero. 

No Twitter, Bolsonaro comemorou a prisão e aproveitou para atacar o PT: “Finalmente a justiça será feita ao assassino italiano e companheiro de ideais de um dos governos mais corruptos que já existiram no mundo (PT)”. 

Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por 4 homicídios cometidos na década de 1970. Ele diz ser inocente. Na época, ele integrava o grupo Proletariados Armados pelo Comunismo, braço das Brigadas Vermelhas. 

Ele ficou no Brasil entre 2004 e 2018. Em 2007, a Itália fez o primeiro pedido de extradição, quando Battisti foi preso no Brasil, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva postergou a decisão. Em 2009, a extradição foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mas dependia da palavra final do presidente. Em 2010, no último dia de seu mandato, Lula concedeu residência brasileira ao italiano.