POLÍTICA
01/02/2019 19:56 -02 | Atualizado 01/02/2019 20:18 -02

Em sessão tumultuada, senadores aprovam voto aberto na eleição da presidência

Decisão prejudica Renan Calheiros, que gritou “canalha”nos microfones. Katia Abreu subiu à mesa e tomou a pasta do presidente da sessão.

Reprodução/ TV Senado
Os senadores Renan Calheiros e Kátia Abreu sobem à mesa para pressionar Davi Alcolumbre (centro), que presidia a sessão.

Em uma sessão com gritos e discussões, o plenário do Senado Federal decidiu nesta sexta-feira (1º), que o voto para eleição da presidência da Casa será aberto. A decisão prejudica Renan Calheiros (MDB-AL), favorito na disputa até então.

Foram 50 votos a favor do voto aberto e 2 contra. O senado Davi Alcolumbre (DEM-AP), que presidiu a sessão não votou, conforme prevê o regimento. Ele deve concorrer com Renan pelo comando do Senado - mas ainda não inscreveu sua candidatura.

Antes de Alcolumbre iniciar a votação sobre o voto aberto, Renan e aliados subiram o tom. O emedebista contestou “em que condição” o democrata estava presidindo os trabalhos e provocou tensão no plenário.

Aliados acusaram Alcolumbre de “usurpar a Presidência da Mesa”. “Se vossa excelência presidir, não vai ter legitimidade e vai terminar nos tribunais”, disse Otto Alencar (PSD-BA).

Em clima de tumulto, Renan lembrou um episódio da ditadura para reclamar das conduções dos trabalhos. “Canalha!, Canalha!”, gritou nos microfones.

Minutos antes do resultado, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) chegou a ir até a mesa pra confrontar Alcolumbre e tomou os documentos do democrata. “Ele é candidato e não pode presidir”, disse. “Você está usurpando essa Casa. Entregue a cadeira”, exigiu.  

O regimento da Casa prevê voto secreto, mas parte dos parlamentares defendeu ser possível uma interpretação para que seja aberto. O entendimento é que os colegas ficariam constrangidos em votar em um senador investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Nas redes sociais, opositores a Renan usaram a tag #VotoAbertoSimRenanNão como forma de pressão.

A votação foi motivada por uma questão de ordem apresentada por Randolfe Rodrigues (Rede-AP). De acordo com ele, o regimento precisa ser atualizado para incluir o princípio constitucional de publicidade. “O voto aberto não é questão de fulanização, de favorecer uma ou outra candidatura: é imperativo da República, que qualifica o Senado enquanto instituição fundamental e o reconcilia com os anseios da sociedade”, afirmou.

Como contraponto, Eduardo Braga (MDB-AM), aliado de Renan, contestou a argumentação. “O voto secreto é uma conquista da democracia brasileira”, afirmou. Humberto Costa (PT-PE) concordou com o colega, assim como Ciro Nogueira (PP-PI) e Jader Barbalho (MDB-PA).

Outros senadores também apresentaram questionamentos semelhantes.

Pela manhã, Alcolumbre derrubou decisão da Secretaria-Geral da Mesa do Senado, que delegava a condução da disputa a José Maranhão (MDB-PB), aliado de Renan. Ele também exonerou o responsável, o secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Melo.