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28/12/2019 15:02 -03

Velocidade de disseminação é obstáculo para Justiça conter fake news, diz Barroso

Para futuro presidente do TSE, combater fake news com a Justiça é fantasia.

Adriano Machado / Reuters
Barroso: “Imaginar que possa conter por decisão judicial é como aparar vento. Não vamos conseguir. Não gostaria de criar essa ilusão". 

Vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso considera “fantasia” combater as fake news com a Justiça. O principal entrave, segundo ele, é a velocidade de disseminação das notícias falsas. Aos jornais Folha de S.Paulo e Estadão, ele afirmou que aposta em parcerias com plataformas de internet para colocar um freio.

“A gente até pode conseguir tirar aqui e ali, por decisão judicial, informações inverídicas, mas há dois problemas. (…) Primeiro, o risco onipresente de censura, que se deve evitar. E, segundo, não há meios materiais nem recursos humanos que consigam correr atrás na velocidade necessária. Portanto, não se deve criar a fantasia de que, por decisão judicial, se bloqueiam fake news”, disse ao Estadão.

“Imaginar que possa conter por decisão judicial é como aparar vento. Não vamos conseguir. Não gostaria de criar essa ilusão”, afirmou à Folha.

O ministro, que assume no próximo ano o comando da corte eleitoral, também espera que as campanhas de conscientização que o TSE pretende liderar ajudem. A gestão da atual presidente da corte, ministra Rosa Weber, e a do seu antecessor, ministro Luiz Fux, foram marcadas por tentativas de criar um marco contra as fake news. Em nenhum dos dois casos, os planos seguiram adiante.

Plataformas, como Twitter, Facebook, WhatsApp e YouTube, que foram bastante criticadas nas eleições de 2018, têm apresentado planos de contenção. “Nós confiamos na parceria para conterem a disseminação de notícias por meio de robôs, detectarem movimento atípicos nas redes sociais, e as questões que violem políticas de uso”, disse Barroso à Folha.

Em junho, ao HuffPost Brasil, o economista e presidente do Ideia Big Data Maurício Moura,  endossou a visão do ministro de que há obstáculos em conter as fake news e corroborou a tese de que é preciso investir em educação.

“Olhando para frente, precisamos apostar em todos os níveis da educação sobre uma coisa que chama educação jornalística, que é capacidade de as pessoas checarem a fonte e não disseminarem qualquer tipo de conteúdo”, pontuou.