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25/01/2019 15:17 -02 | Atualizado 25/01/2019 22:16 -02

Barragem de rejeitos da Vale se rompe em Minas; 7 mortos são confirmados e há 150 desaparecidos

"Dessa vez é uma tragédia humana", diz presidente da Vale.

Divulgação/Corpo de Bombeiros

Uma barragem de rejeitos de mineração da Vale se rompeu nesta sexta-feira (25) no município de Brumadinho, em Minas Gerais, deixando ao menos 150 pessoas desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros.

Na noite desta sexta, o prefeito de Brumadinho, Avimar Melo, disse à Globonews que 7 pessoas já foram confirmadas mortas, e seus corpos, resgatados da lama.  

Cerca de 50 bombeiros e seis aeronaves atuavam no resgate durante a tarde.

O rompimento da barragem 1 da Mina do Feijão ocorre três anos após a tragédia de Mariana, também em Minas Gerais, causada pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da Samarco, também da Vale. Em novembro de 2015, 43,7 milhões de metros cúbicos de lama vazaram, matando 19 pessoas e deixando 1.500 pessoas desabrigadas.

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, deu uma entrevista coletiva no início da noite, dizendo que, desta vez, os danos ambientais seriam menores que os de Mariana, mas a tragédia humana seria maior.    

“Dessa vez é uma tragédia humana. Nós estamos falando de uma quantidade provável grande de vítimas - nós não sabemos quanta são, mas sabemos que será um número grande”, disse Schvartsman. 

“Era uma barragem inativa [a de Brumadinho], o material dentro da barragem já era razoavelmente seco e, consequentemente, ele não tem esse poder de se deslocar por longas regiões. Então a parte ambiental deve ser muito menor [que Mariana], e a tragédia humana, terrível.”

Havia a informação de que pelo menos 4 pessoas tinham sido atendidas - dois homens e duas mulheres - no hospital João 23, em Belo Horizonte, que fica a 60 km de Brumadinho, na tarde desta sexta. 

Reprodução/ TV Record
Reprodução de vídeo da TV Record mostra resgate de vítimas do rompimento da barragem em Minas Gerais.

A barragem que rompeu nesta sexta tinha uma capacidade bem menor do que a do Fundão, que causou o desastre em Mariana. Enquanto a outra possuía capacidade de 50 milhões de metros cúbicos, a de Brumadinho tinha capacidade de até 1 milhão de metros cúbicos.

Um fator de preocupação, no entanto, é que o mar de lama soterrou um refeitório onde almoçavam funcionários da Vale. Segundo Schvartsman, mais de 300 funcionários - da empresa e terceirizados - estavam no local na hora do rompimento da barragem, parte no refeitório e parte no prédio administrativo, ambos atingidos. Destes, cerca de 100 teriam sido encontrados. 

Havia o temor de que os rejeitos atingissem o rio São Francisco, por meio do rio Paraopeba, que é seu afluente. A prefeitura de Brumadinho emitiu um alerta para que a população mantivesse distância do leito do Paraopeba após o rompimento. 

Segundo o jornal O Globo, um relatório feito por técnicos do governo e entregue ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, mostrava que o reservatório da Hidrelétrica de Retiro Baixo poderia conter os rejeitos que viessem pelo Paraopeba antes de chegar ao São Francisco.

Antes disso, no entanto, o mar de lama ainda deve passar pela represa da Hidrelétrica de Três Marias, que entrou em estado de alerta. 

Divulgação/ Bombeiros

Bolsonaro visitará a região e envia ministros 

O presidente anunciou que irá a Belo Horizonte e sobrevoará a região de Brumadinho na manhã deste sábado (26). 

Em nota divulgada pelo Planalto, Bolsonaro lamentou “as eventuais perdas de vidas ocasionadas pelo rompimento da barragem” e disse também ter determinado o imediato estabelecimento de gabinetes de crise para acompanhar a evolução da situação, tanto no Palácio do Planalto, quanto no Ministério do Meio Ambiente.

“Os Ministérios de Minas e Energia, Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Defesa foram acionados para integrar esforços Federais e Estaduais”, diz o texto.

A primeira manifestação de Bolsonaro nas redes sociais veio duas horas depois que a notícia do rompimento já havia sido divulgada.

Em sua conta no Twitter, ele lamentou o ocorrido em Brumadinho-MG e disse ter determinado o deslocamento para a região dos ministros Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), almirante Bento Costa Lima de Albuquerque (Minas e Energia) e Ricardo Salles (Meio Ambiente), assim como do secretário nacional de Defesa Civil, Alexandre Lucas.

“Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia”, escreveu Bolsonaro.

Barragem era ‘estável’, segundo Vale

Aos jornalistas, presidente da Vale, Fábio Schvartsman afirmou várias vezes que não sabe o que aconteceu para que essa barragem se rompesse e disse que seu sentimento é de “surpresa e desalento”. “Não houve qualquer tipo de pré-aviso, nada”, disse. “Nós não sabemos o que foi que houve com essa barragem.”

Ele afirmou que apenas uma das 3 barragens do Feijão se rompeu, mas que outra transbordou ao receber o volume da que rompeu. Segundo o presidente da empresa, o material que estava na barragem era “basicamente sílica” e que, como ela estava inativa, “sequer vinha recebendo rejeitos”.  

O presidente da Vale, que assumiu sob o lema “Mariana nunca mais”, disse que foram tomadas várias medidas de segurança desde a tragédia da barragem do Fundão, inclusive com a instalação de sirenes para que funcionários e moradores de regiões próximas fossem alertados em caso de rompimento.

Questionado se as sirenes não soaram nesta sexta-feira, Schvartsman disse que ”é provável que elas tenham funcionado, mas a velocidade com que isso aconteceu impediu que o aviso das sirenes tivesse qualquer benefício”. 

Schvartsman irá para Brumadinho acompanhar os desdobramentos. Ele afirmou que a empresa montou 3 centros de atendimento às vítimas e aos familiares e que mobilizou cerca de 40 ambulâncias de que dispunha na região.

Divulgação/ Bombeiros

Abastecimento de água

Em um comunicado, a Copasa, companhia de saneamento de Minas Gerais, disse que o abastecimento de água da região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) não seria prejudicado pelo rompimento da barragem Mina Feijão.

“A Companhia informa que está monitorando a situação e acompanhando no local. Caso seja necessário, o abastecimento da região atendida pelo sistema Paraopeba passará a ser realizado pelas represas do Rio Manso, Serra Azul, Várzea das Flores e pela captação a fio d’água do Rio das Velhas”, diz a nota.

Divulgação/ Bombeiros

Fechamento de Inhotim

O Instituto Inhotim, um dos maiores centros de arte ao ar livre da América Latina, que fica em Brumadinho, foi esvaziado por segurança por causa do rompimento.

Segundo o instituto, “todos os funcionários e visitantes foram orientados a deixar o local”, mas a área de Inhotim não foi atingida, “não havendo feridos nem prejuízo às obras, jardins e outras instalações do museu”. 

* Com informações da Reuters