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26/01/2019 15:53 -02 | Atualizado 26/01/2019 18:12 -02

É preciso ver se inspeção em Brumadinho não foi só no papel, diz Mourão

Vice-presidente afirma que documentos comprovam vistorias da barragem que rompeu.

EVARISTO SA via Getty Images
Mourão afirma que governo tem documentos com as análises e vistorias da barragem que rompeu.

O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, disse à Reuters neste sábado (26) que o governo tem documentos mostrando que a barragem que se rompeu em Brumadinho, em Minas Gerais, passou por análises e vistorias, mas que é preciso saber se elas efetivamente foram realizadas.

Mourão afirmou que uma checagem será feita para saber mais detalhes sobre os processos.

“Tenho um dado de que todas as inspeções previstas foram realizadas”, disse ele à Reuters. “Cumpre verificar se ocorreram ou foi só papel”, acrescentou.

Na véspera, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que a tragédia causou surpresa pelo fato de laudos técnicos recentes terem apontado baixo risco de acidente no local.

A barragem 1, que se rompeu, estava paralisada havia mais de 3 anos e estava sendo descomissionada, disse Schvartsman. A estimativa é que havia cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.

O executivo afirmou que estava “tudo normal” na última leitura, feita em 10 de janeiro, e que ainda era cedo para dizer o motivo do colapso.

Em coletiva de imprensa neste sábado, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o momento não é de questionar nenhum laudo.

“Informações que temos de órgãos reguladores e de fiscalização é que toda a documentação em Brumadinho estava regular”, disse.

A tragédia na região já deixou 34 mortos, informou no fim da tarde de sábado o Corpo de Bombeiros, que ainda procura cerca de 300 desaparecidos.

O acidente ocorreu mais de 3 anos depois da barragem Fundão, da Samarco, joint venture da Vale e da BHP Billiton, ter se rompido em Mariana (MG), matando 19 pessoas e causando o pior desastre ambiental do Brasil.