MULHERES
16/12/2019 19:55 -03 | Atualizado 16/12/2019 23:21 -03

Para Barack Obama, se mulheres estivessem no comando, o mundo seria muito melhor

Em evento realizado em Cingapura, o ex-presidente dos EUA afirmou que as mulheres são "indiscutivelmente" melhores que os homens.

ASSOCIATED PRESS
O ex-presidente Barack Obama em evento da "Fundação Obama" realizado em Kuala Lumpur, na Malásia, na última sexta-feira (13).

Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira (16) que tem convicção de que se mais mulheres estivessem em cargos de liderança em todos os países, haveria uma melhora nos padrões de vida e em resultados tanto econômicos quanto sociais. Obama, que presidiu os EUA de 2009 a 2017, participou de evento privado sobre liderança em Cingapura.

“Agora, mulheres, eu só quero que vocês saibam: vocês não são perfeitas, mas o que posso dizer de maneira indiscutível é que vocês são melhores do que nós [homens]”, afirmou o ex-presidente, segundo a BBC

“Estou confiante de que, por dois anos, se todas as nações fossem governadas por mulheres, veríamos uma melhora em todos os aspectos, desde padrões de vida até resultados [econômicos e sociais].”

As mulheres, de forma geral, têm ganhado mais visibilidade na política. Para as eleições norte-americanas de 2020, entre os possíveis candidatos do Partido Democrata para bater de frente com Donald Trump, estão a deputada Tulsi Gabbard e as senadoras Amy Klobuchar e Elizabeth Warren ― que é uma das favoritas para a corrida eleitoral, somando já 16% das intenções de voto, ficando atrás do ex-vice presidente Joe Biden e do senador Bernie Sanders. 

Enquanto na Finlândia, o novo governo comandado por Sanna Marin, de 34 anos ― a mais jovem premiê do mundo ― terá uma coalizão de centro-esquerda, junto com outros quatro partidos chefiados por mulheres com menos de 35 anos. Uma delas é a chefe do Partido de Centro, Katri Kulmuni, de 32 anos, que ficará encarregada pelas finanças do país neste novo momento.

Já no Brasil, as mulheres são 52% do eleitorado, mas quando se mede a presença nos cargos de poder, os números são bem menores. Elas são 15% dos deputados federais e dos senadores e 14% dos vereadores. Já no Executivo, apenas um estado é governado por uma mulher e 12% em municípios, um cenário que coloca o Brasil na lanterna dos rankings de presença feminina em ambientes de poder.

Durante seus oito anos de governo, Obama lançou luz sobre temas de igualdade de gênero na política e chegou a indicar duas mulheres para a Suprema Corte do país, um cargo vitalício: Sonia Sotomayor e Elena Kagan. 

Entre as ações pró-igualdade entre homens e mulheres, o ex-presidente restaurou proteções contra a discriminação salarial e criou o chamado “Conselho da Casa Branca para Mulheres e Meninas”, com apoio de Michelle Obama, para garantir que políticas para as mulheres fossem feitas por elas.

Obama também contou com Hillary Clinton em seu primeiro mandato no cargo de Secretária de Estado, e com outras 7 mulheres entre os 22 membros de seu gabinete. Atualmente, o governo Trump conta com apenas quatro mulheres, entre elas: Kellyanne Conway, Betsy DeVos, Elaine Chao, Mitch McConnell.

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O presidente Donald Trump fala durante uma mesa redonda com os governadores. Da esquerda, a governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, o vice-Presidente Mike Pence, Trump, governador de Idaho, Brad Little e governador de Nebraska, Pete Ricketts.

Em sua fala, segundo a BBC, Obama ainda destacou que a origem de parte dos problemas do mundo existe porque pessoas mais velhas ― geralmente homens brancos ― se recusam a deixar de ocupar determinados cargos. 

“Se você olha para o mundo e olha para os problemas, geralmente as pessoas idosas, geralmente os idosos, não estão saindo do caminho”, disse ele, ao pontuar que essas pessoas optam pelo ambiente político para buscar poder. 

Quando questionado sobre voltar para a vida política e concorrer a cargos públicos Obama respondeu, de acordo com a BBC, que os líderes - especialmente homens - precisam saber quando é hora de se afastar.

“O trabalho do líder de uma nação não é vitalício e não se destina a aumentar o poder pessoal de alguém”, pontuou, descartando a retomada da vida pública.

Em maio deste ano, Obama esteve no Brasil para uma palestra no evento de tecnologia Vtex Day, na São Paulo Expo. O ex-presidente dos Estados Unidos afirmou que uma de suas maiores frustrações à frente da Casa Branca foi não ter conseguido endurecer as regras para vendas de armas no país.

A afirmação do ex-presidente americano em São Paulo aconteceu logo após o presidente Jair Bolsonaro alterar, por decreto, regras para posse e porte de armas, flexibilizando-os para diversos grupos. Bolsonaro, inclusive, usa constantemente os EUA como exemplo a ser seguido na questão das armas.