NOTÍCIAS
24/06/2020 16:01 -03 | Atualizado 24/06/2020 16:27 -03

Funcionários do Banco Mundial pedem suspensão da nomeação de Weintraub

Associação de funcionários afirma que comportamento do ministro é incompatível com valores da instituição.

Adriano Machado / Reuters

A Associação de Funcionários do Banco Mundial (WBG Staff Association) pediu ao conselho de ética da instituição a suspensão e uma reavaliação da indicação do ex-ministro Abraham Weintraub ao cargo de diretor-executivo do banco.

Em uma carta enviada ao colegiado, os funcionários pedem uma investigação sobre recentes declarações do ex-integrante do governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Solicitamos formalmente ao Comitê de Ética que reveja os fatos subjacentes às múltiplas alegações, com intenção de (a) colocar sua indicação em espera até que essas alegações possam ser revisadas e (b) garantir que o Sr. Weintraub seja avisado de que o tipo de comportamento pelo qual ele é acusado é totalmente inaceitável nesta instituição”, afirmam os funcionários na carta.

Uma das queixas é sobre o inquérito que Weintraub responde por suspeita de racismo, no momento em que o banco assume uma posição para eliminar a discriminação da instituição.

“O Banco Mundial acaba de assumir uma posição moral clara para eliminar o racismo em nossa instituição. Isso significa um compromisso de todos os funcionários e membros do Conselho de expor o racismo onde quer que o vejamos. Confiamos que o Comitê de Ética compartilhe dessa visão e faremos tudo ao alcance para aplicá-lá”, diz trecho do documento.

O ex-ministro é alvo do inquérito por ter criticado, com ridicularização racial, o sotaque chinês, além de culpado a China pela propagação do novo coronavírus. Os funcionários também destacam que Weintraub é alvo de um outro inquérito, por ter chamado os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de “vagabundos” e ter sugerido que eles deveriam ser presos. 

A nomeação do ex-ministro para o cargo ainda depende de sua eleição. Embora o voto do Brasil represente maioria, o processo pode demorar até quatro semanas e contará com avaliação de outros oito países:  Colômbia, Equador, Haiti, Panamá, Suriname, República Dominicana, Filipinas e Trinidad & Tobago.

Reprodução

Weintraub foi indicado formalmente pelo Brasil ao cargo de diretor-executivo do Banco Mundial após anunciada sua demissão do MEC, na última quinta (18) ― em um vídeo ao lado do mandatário. De quinta para sábado, ele deixou a pasta e chegou aos EUA.

A pressa de Abraham Weintraub em sair do País, em grande parte, deveu-se a previsões de ministros do STF. Nos bastidores, os magistrados argumentavam que se o então ministro continuasse a atacar as instituições, como vinha fazendo, poderia acabar preso.