LGBT
06/09/2019 03:00 -03

Estudantes criam 1º banco de imagens com menos estereótipos sobre LGBTs no Brasil

Projeto 'Tem Que Ter', foi idealizado por grupo de estudantes do Rio Grande do Sul com apoio da ONG SaferNet Brasil em parceria com o Google.org e a UNICEF.

Representatividade importa em todos os espaços e agora não há mais desculpas para não promovê-la sem preconceito também na internet. É com essa ideia que o coletivo gaúcho Viva Voz, composto por cinco estudantes, idealizou o projeto “Tem Que Ter”, considerado o primeiro banco de imagens gratuito que produz imagens com menos estereótipos sobre LGBTs do Brasil. 

“A publicidade tem poder e é responsável por transformar o jeito que pensamos e agimos. Dessa forma, é necessário aprofundarmos a discussão sobre o papel de marcas, produtos e serviços na promoção da diversidade”, diz a estudante Manoela Haase, uma das idealizadoras do projeto ao HuffPost Brasil.

Totalmente gratuito, o “Tem Que Ter” foi lançado em julho deste ano e reúne incialmente, 150 imagens que foram produzidas para o projeto e retratam LGBTs em cenas da vida cotidiana, doméstica e também no trabalho. 

Arquivo Pessoal
As amigas Manoela Haase, Betina Ayone, Patrícia Richter, Fernanda Sanchis e Ana Maria Antunes.

As imagens são assinadas por cinco fotógrafos distintos e foram produzidas em tanto em Porto Alegre (RS) quanto em São Paulo (SP) e protagonizadas exclusivamente por pessoas LGBTs. O objetivo era garantir que a diversidade também estivesse representada na escolha dos fotógrafos e do casting.  

“Focamos, nesse primeiro momento, na comunidade LGBT, reforçando a visibilidade da existência de corpos e sujeitos diversos, através da quebra de estereótipos”, reforça Manoela, estudante de publicidade. “O banco conta com um sistema de tags para facilitar a busca pelos temas”, explica.

O projeto das estudantes de comunicação e publicidade foi um dos 14 trabalhos contemplados em edital da ONG SaferNet Brasil em parceria com o Google e a UNICEF Brasil, que visava dar visibilidade a ideias para combater o discurso de ódio na internet. O site foi elaborado em conjunto com o SaferLab.

Tem Que Ter
Inicialmente as fotografias disponibilizadas no ‘Tem Que Ter’ possuem licença de reutilização para uso não comercial.

Manoela conta que ficou sabendo do edital por uma amiga. “Como sempre gostei muito e sempre me envolvi em projetos sociais, logo me interessei e chamei outras amigas, que têm o mesmo perfil, para dividir a ideia de participar”, lembra, ao pontuar que não tinham um projeto já pré formulado.

Ao participar do edital, Manoela, ao lado de Betina Ayone, Patrícia Richter, Fernanda Sanchis e Ana Maria Antunes, passou por imersões, workshops e mentorias com profissionais de comunicação para desenvolver o projeto. “Foi um processo longo e de grande aprendizagem”, lembra a estudante.

Tem Que Ter
Totalmente gratuito, o “Tem Que Ter” foi lançado em julho deste ano.

Inicialmente as fotografias disponibilizadas no "Tem Que Ter" possuem licença de reutilização para uso não comercial, ou seja, somente blogs, redes sociais, sites e veículos de comunicação podem republicá-las. Manoela conta que, atualmente, o grupo está desenvolvendo um plano de negócios para que, no futuro, a licença das imagens seja expandida para uso comercial ― o que permite que elas sejam usadas em peças publicitárias, por exemplo.

“Mas a ideia é que o projeto seja sustentável, não queremos depender apenas doações ou crowdfunding”, aponta. “O objetivo é que seja um projeto que consiga se manter por ele mesmo. Estamos elaborando cotas de patrocínio para financiar as produções e outros modelos de parcerias que permitam arcar com os custos básicos do site”, conta.

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