LGBT
05/10/2019 12:13 -03

Quem é Makayla Sabino, a bailarina trans no show da Anitta no Rock in Rio

Moradora do Complexo do Alemão comemorou recentemente retificação do nome na certidão de nascimento.

Reprodução/Instagram
Moradora do Complexo do Alemão comemorou recentemente retificação do nome na certidão de nascimento.

“Meu nome é Iara Makayla da Silva Sabino e sou uma mulher.”

Aos 19 anos, Makayla Sabino, comemorou na última semana a retificação de seu nome no registro civil. Neste sábado (5), ela sobe ao palco no corpo de baile da cantora Anitta, no Rock in Rio, e é a primeira bailarina transexual a se apresentar com a funkeira.

Nas redes sociais, a moradora do Complexo do Alemão contou que, após 2 anos de “muita persistência, muita papelada, ir em muitos cartórios, muitos choros e decepções”, conquistou o direito a ter seu nome social reconhecido oficialmente.

Pessoas transexuais que desejam alterar o nome e gênero de registro em sua documentação de nascimento pelo nome social podem procurar diretamente, sem a presença de advogado ou defensor público, qualquer cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais (RCPN) do Brasil para fazer a mudança.

Em junho de 2018, a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma norma que estabelece as regras para que a mudança na certidão de nascimento ou casamento possa ser feita diretamente nos cartórios de todo o Brasil. Desde então, pessoas maiores de 18 anos podem requerer a alteração desses dados, desde que tenham capacidade de expressar sua vontade de forma inequívoca e livre. Para menores de 18 anos, a mudança só é possível na via judicial.

A regulação do CNJ veio três meses após o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir que a alteração não precisa de autorização judicial, laudo médico ou comprovação de cirurgia de redesignação sexual.

Apesar de não precisar passar pela justiça, o procedimento administrativo no cartório não é tão simples. A população trans ainda enfrenta dificuldades para efetivar o direito diretamente no balcão dos cartórios, seja pela falta de informações, dificuldade de acesso à documentação e à gratuidade, ou falhas no atendimento.

Representatividade trans

Em entrevista ao Globo, Anitta contou que se emocionou com a trajetória da dançarina. “Ela tem uma história incrível, hoje conseguiu vencer na Justiça a dura batalha para ser reconhecida como mulher. E eu queria fazer do meu show um palco para a diversidade, como já fiz outras vezes. E quero fazer isso sem estereotipar ninguém. Ela é uma mulher e ponto. Não tem razão para ser tratada de forma diferente”, disse. A funkeira conheceu Makayla por intermédio de sua coreógrafa, Arielle Macedo.

Sobre o tema do show, que inclui uma homenagem ao Furacão 2000, a cantora destacou a importância do funk na cultura brasileira. “Já houve projeto de se criminalizar o funk e isso é um absurdo muito grande. É um ritmo com representatividade cultural. Vou homenagear e propagar o funk sempre, como agora, num evento com repercussão internacional. Essa é a minha história, a minha origem”, afirmou.

Nas redes sociais, Makayla Sabino destaca força da arte no Complexo do Alemão. “Para mostrar que existe arte nas favelas, o quanto elas podem ser lindas, e isso é um pouco da minha realidade, muitas dificuldades se existem, mas essa é minha Raiz e não posso deixar de falar dela !”, escreveu em um de seus vídeos.

Sobre a participação no Rock in Rio, a dançarina ressaltou a importância da representatividade em um evento de grande repercussão. ”É incrível poder dar visibilidade ao corpo trans, estar no balé como uma mulher e não sendo oprimida e estereotipada como um gay afeminado, o que acontece muito por aí”, disse ao Globo. ”É uma realização não só pelo fato de ser um sonho pessoal, mas também por representar a minha cultura, as mulheres trans, LGBTs que moram nas favelas e periferias, as minorias”, completou.

Não é a primeira vez que dançarinas fora do padrão que trabalharam com a funkeira ganham destaque. Em 2017, foi a vez das bailarinas plus size Thaís Carla e Tatiana Lima, participantes do clipe de “Paradinha”.