ENTRETENIMENTO
27/04/2020 14:45 -03

BBB: 'Não estou nem aí se a pessoa acha que sou vitimista, precisava do prêmio', diz Babu

Em entrevista a Fátima Bernardes, ator fala sobre sua passagem pelo reality, de seus críticos e de questões raciais dentro da casa.

Babu Santana pode não ter conseguido chegar à final do Big Brother Brasil 20, mas o ator saiu da casa como um dos participantes com passagem mais marcante no reality. Recordista absoluto de paredões, foram 10 ao todo, ele falou mais sobre sua participação no BBB no programa Encontro, da apresentadora Fátima Bernardes, na manhã desta segunda (27). 

“Quando recebi o convite, pensei que era para fazer alguma participação na casa, atuando dentro do programa. Mas aí me falaram que era para participar do BBB mesmo. Fiquei surpreso. Tava 20 anos sem umas férias programadas. Fui encarando como férias. Mas quando entrei e vi aquela galera jovem... Tinha muita gente querendo fazer VT, exibindo o corpão. Cheguei com 40 anos, todo torto, barrigudo, cheio de dívida”, contou Babu.

“Quando eu topei participar, disse para a minha agente para já ir marcando show para fevereiro porque eu não ia durar dois dias naquela casa. Eu tinha medo por ser um cara ‘quadrado’ para a maioria do público, que é muito jovem. Tinha amigo meu que eu pensei que ia sentar o pau em mim por eu ter aceitado participar do projeto, mas que, na verdade, lideraram campanhas por mim. Isso foi muito lindo”, completou.

Reprodução
Babu Santana encina sua famosa dancinha à apresentadora Fátima Bernardes.

Uma das maiores críticas de quem torcia contra o ator foi sua postura vista como “vitimista”. Tanto que Fátima mostrou a ele um vídeo em a advogada capixaba Gizelly aponta Babu usando esse termo em conversa com Ivy e Mari. 

“As críticas que não têm fundamento eu não dou nem importância. Ano passado o nosso meio passou por um massacre por parte do governo. Eu queria muito aprender com esses jovens como me organizar nesse mundo moderno. Eu, que sou do mundo mais analógico, ano passado trabalhei apenas em janeiro e setembro. No final do meu ano eu pensei seriamente em desistir da minha carreira. Tava muito deprimido. Entrei para ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão mesmo. Não estou nem aí se a pessoa acha que isso é vitimismo. Eu não pude passar o natal com meus filhos por falta de recurso”, rebateu o ator.

“Eu quero saber das 6 milhões de pessoas que estão comigo. Os 300 mil críticos que se rasguem. Não vou dar ideia para eles. Eu fui representar a favela, eu sou favelado. Não quis fazer da minha crise uma bandeira. O que eu quis dizer é que apesar da crise, eu estava lá na casa. O orçamento que eu tinha era para durar até abril. Não tinha como eu não pensar no prêmio”, acrescentou.

Outra questão muito levantada durante a passagem de Babu pelo BBB foi a racial. Por diversas vezes o ator foi hostilizado pelo grupo formado por Marcela, Daniel, Ivy, Gizelly e Pyong. Seu pente para cabelos crespos virou até motivo de piada para Ivy, Gizelly e Pyong.

“Meu cabelo é esse, nasceu comigo. Eu passei por todo o processo de um menino que nasceu com o cabelo crespo, como minha irmã passou por esse processo de uma menina com o cabelo crespo. Que eu tinha que deixar o cabelo baixinho porque se deixasse um pouco alto, representava sujeira. Minha irmã e todas as meninas pretas tinham que alisar o cabelo. A gente tinha que estar dentro de um padrão. Mas com o tempo fui percebendo a história do nosso cabelo, que ele é bonito, que eu poderia usar ele como eu quisesse”, disse.

“Com meu pente eu fiz um resuminho de tudo que eu passei na minha vida para as pessoas que, de repente, não por maldade, não pararam para perceber aquilo. Na casa só tinham duas pessoas com cabelo crespo”, completou o ator, que também acrescentou: “Termos como ‘nêgo e isso ou aquilo’, ‘denegrir’... Essas coisas a gente tem que começar a rever. Não é ser chato, bater em que fala isso. Não é dar pancada, é dar uma informação. Não queria fazer uma campanha, queria só jogar uma sementinha naquelas 18 pessoas dentro da casa.”

Aliás, sobre esse mesmo assunto, Babu reforçou sua torcida pela médica Thelma: “A humanidade caminha a passos lentos, mas sempre para frente. Ter uma mulher preta na final foi sempre um dos meus planos. Se teve uma coisa que eu defendi foi que eu ou a Thelminha chegasse a essa final por uma questão de representatividade.”

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