OPINIÃO
08/02/2020 15:33 -03 | Atualizado 08/02/2020 15:38 -03

Babu, o homem necessário no BBB 20 e no Brasil de 2020

O ator e cantor não apenas ensina noções básicas de feminismo — e respeito — aos colegas machistas. Ele demonstra a humildade em estar aberto para ouvir e aprender com as diferenças.

Montagem/Reprodução/Instagram/@babusantana
Babu Santana deu show de consciência e respeito pelas mulheres no Big Brother Brasil.

Na semana em que os temas machismo e assédio entraram na casa de milhões de brasileiros por conta do Big Brother Brasil, homens heterossexuais da casa deixaram às claras seus planos para usar “táticas de sedução” e desestabilizar mulheres — levando à derrota delas.

Hadson, Felipe, Lucas, Guilherme, Petrix. A balança do BBB 20 parece desequilibrada quando notamos o número de machos inconsequentes adotando comportamentos predatórios para avançar na competição. Se o programa é um espelho da realidade, é doloroso constatar que o hétero médio padrão no Brasil é machista com convicção.

Mas esta semana trouxe duas boas notícias. Por um lado, a união das mulheres desta edição contra o machismo dos participantes. Por outro, a eliminação de Petrix Barbosa, acusado de assédio, com massacrantes 80,27%. Um recado claro do público: a rejeição ao “assédio de brincadeira”. O segundo mais rejeitado pelo público, aliás, também foi do time dele: Hadson, com 18,63% dos votos.

O menos rejeitado desse paredão foi o ator e cantor Babu Santana. Ele teve apenas 0,44% dos votos. E que bom que continua — pois os últimos dias foram de lições que o intérprete de Tim Maia deu para os brothers de cabeça do século 20.

A Felipe e Lucas, Babu tentou explicar o que é feminismo — e a importância de eles ouvirem mais as mulheres:

Cala a boca e escuta [as mulheres]. Você pode até discordar, mas num lugar de escuta... Não num lugar de fala!

Babu explicou que a figura dominante na sociedade até hoje é o “homem branco rico”, mas que “chegou a hora de as mulheres terem voz”. 

“Quando a gente não entendeu um questionamento delas, minha amiga me ensinou: ‘cala boca e escuta’. E, mesmo que você esteja contrariado por dentro, peça desculpas e vá refletir”, aconselhou. 

Para o ator, há uma dificuldade de todos os homens de sair de sua “posição de privilégio” — de autoridade e fala. Mas deixar essa zona de conforto é importante para o avanço da sociedade como um todo. 

“Tem que buscar o equilíbrio... É o momento de elas falarem; o feminismo não busca a supremacia da mulher, mas sim busca a igualdade”, refletiu. 

O feminismo não é o contrário do machismo.... Enquanto o machismo está calcado no privilégio, o feminismo está calcado na igualdade.

Lucas e Felipe prestaram bastante atenção ao brother mais velho, que ressaltou ter apanhado muito para aprender sobre feminismo, sobretudo por ter crescido nos anos 80 e 90 — uma época de muita falta de noção, como relembra esta matéria.

“Eu estou em processo de educação”, resumiu Babu. “Eu tomei muito na cabeça e ainda vou tomar, mas estou aberto [a aprender]”, concluiu.

Babu tem razão: muito do que era socialmente aceito 20, 30 anos atrás hoje é inadmissível. O tal “assédio de brincadeira”, as táticas predatórias de seduzir mulheres e rifá-las, o machismo nosso de cada dia.

Por isso, os homens precisam refletir sobre seus comportamentos, rever atitudes e sobretudo respeitar não só as mulheres, mas o próximo — seja ele quem for.

Para isso, é necessário ter humildade de ouvir, colocar-se no lugar do outro e aprender com as diferenças.

Isso, a experiência parece ter ensinado a Babu... Que mais homens tenham essa postura!

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