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09/01/2020 08:44 -03 | Atualizado 13/01/2020 14:07 -03

Avião ucraniano pegou fogo antes de cair no Irã, aponta relatório

Fontes de segurança afirmam que problemas técnicos estão por trás do acidente do Boeing que matou todas as 176 pessoas a bordo.

Relatório preliminar sobre a queda do Boeing ucraniano que caiu em Teerã na quarta-feira (8), matando as 176 pessoas a bordo, aponta que a aeronave pegou fogo antes de cair.

Os depoimentos a oficiais iranianos foram colhidos de testemunhas que do solo assistiram à queda do avião da Ukraine International Airlines e de passageiros em outros voos. 

Segundo o relatório, um problema técnico inespecífico foi detectado na aeronave logo após a decolagem. Ele desapareceu do radar a mais de 2.400 metros.

A tripulação não chegou a fazer contato com os controladores de voo para pedir socorro. O avião tentava retornar ao aeroporto de Imam Khomeini na hora do acidente, informa o documento.

Wana News Agency / Reuters
Equipe de resgate atua no local de queda do avião da Ukraine International Airlines.

O Boeing 737-800, a caminho de Kiev e transportando principalmente iranianos e iranianos-canadenses, caiu horas depois de o Irã lançar mísseis em bases que abrigam forças norte-americanas no Iraque, levando alguns a especular que o avião poderia ter sido atingido.

Mas cinco fontes de segurança — três norte-americanas, uma europeia e uma canadense — que pediram para não serem identificadas, disseram à Reuters que a avaliação inicial das agências de inteligência ocidentais é que o avião sofreu um mau funcionamento técnico e não foi derrubado por um míssil. Havia evidências de que um dos motores do jato superaqueceu, disse a fonte canadense.

Wana News Agency / Reuters
Pertences dos passageiros são recolhidos próximo ao aeroporto de Imam Khomeini, em Teerã.

O acidente acontece em um momento difícil para a fabricante de aviões Boeing, que recolheu sua frota 737 MAX após dois acidentes. O 737-800 é um dos modelos mais usados no mundo, tem um bom histórico de segurança e não usa a ferramenta de software implicada em quedas do 737 MAX.

“Estamos em contato com nossos clientes de companhias aéreas e os apoiamos neste momento difícil. Estamos prontos para ajudar da maneira que for necessário”, afirmou a fabricante em comunicado divulgado nesta quarta-feira. A empresa se recusou a fazer mais comentários.

Em Paris, na quarta-feira de manhã, a fabricante dos motores do avião francesa-americana CFM ―de propriedade da General Electric Co e da francesa Safran― disse que as especulações sobre a causa da queda eram prematuras.

Entre as vítimas estavam 82 iranianos, 63 canadenses e 11 ucranianos, disseram autoridades ucranianas. A rota Teerã-Toronto via Kiev é popular entre os canadenses descendentes de iranianos que visitam o Irã, na ausência de voos diretos, e carregava muitos estudantes e acadêmicos voltando para casa após as férias. No aeroporto principal de Kiev, velas e flores foram colocadas ao lado de fotos dos tripulantes ucranianos mortos.

Esse foi o primeiro acidente fatal da companhia aérea Ukraine International Airlines, que tem sede em Kiev. A companhia disse que estava fazendo tudo o que era possível para confirmar a causa da queda.

A Ucrânia disse que estava enviando uma equipe de especialistas ao Irã para investigar.  Pelas regras internacionais, o Irã tem a responsabilidade de investigar a queda.