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02/05/2019 11:43 -03 | Atualizado 02/05/2019 14:01 -03

Depois de recuo, MEC anuncia avaliação da alfabetização infantil por amostragem

Segundo o ministro Abraham Weintraub, mudança no método não prejudica série histórica.

Na coletiva de imprensa, o ministro Abraham Weintraub se esquivou de responder qualquer pergunta sem relação com o Sistema de Avaliação da Educação Básica.

Depois de o Ministério da Educação recuar da decisão de não avaliar o nível de alfabetização das crianças, a pasta mudou a metodologia. Em vez de fazer uma avaliação universal das crianças no 2º ano do Ensino Fundamental, a pasta vai fazer a sondagem por amostragem.

Em coletiva de imprensa, o ministro Abraham Weintraub afirmou que o novo método não traz prejuízo a série histórica. De acordo com ele, há instrumentos econométricos capazes de alinhar os resultados. “Não haveria série histórica se deixássemos de fazer [a avaliação]”.

O ministro disse ainda que o método mudaria de qualquer forma, pois a partir de agora a avaliação passa a seguir as diretrizes da nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular”.

Ao lado do ministro, o presidente do Inep (órgão do MEC responsável pela avaliação), Elmer Vicenzi, destacou que os resultados do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) são fundamentais para elaboração de políticas públicas.

“O Saeb serve para interpretar e trazer um conhecimento para os formadores de política. (…) Com ele, é possível monitorar se as políticas estão sendo eficientes e corrigir rumos.” 

Inicialmente, o ministro afirmou que o custo do Saeb seria de R$ 500 mil. Questionado sobre o valor ser baixo para um exame que atinge 7 milhões de estudantes, ele afirmou que era “chocante” o que “a gente pode fazer com valores praticamente desprezados por certas instituições que recebem bilhões”. O valor, entretanto, foi corrigido pela assessoria da pasta. A aplicação do exame custará R$ 500 milhões aos cofres públicos. 

Além de manter a alfabetização no Saeb, o MEC vai incluir a avaliação dos conhecimentos de ciência.

 

Crise institucional

O exame do nível de alfabetização foi um dos motivos que levou a demissão do ex-presidente do Inep Marcus Vinicius Rodrigues. A repercussão negativa fez com que ele e o então ministro da pasta Ricardo Vélez entrassem em conflito.

Sem o indicador no Saeb não seria possível comparar o desenvolvimento do País entre a última edição, de 2016, e este ano.

Ao recuar da decisão de adiar a avaliação para 2021, o Inep informou que a avaliação da Educação Infantil seria realizada em caráter de estudo-piloto para uma amostra de creches e pré-escolas públicas, capaz de gerar os resultados necessários.

Na entrevista, o atual ministro se esquivar de responder questões relacionadas aos cortes de 30% no orçamento de todas as universidades do País. O bloqueio inicial atingiria apenas a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba).