OPINIÃO
12/03/2019 00:00 -03 | Atualizado 12/03/2019 00:00 -03

Como definir metas em 2019: 8 dicas para alcançar os seus objetivos

Você não está sozinho. Acabou o Carnaval e também as desculpas para a procrastinação.

Acabou o Carnaval, e 2019 enfim começou para quem esperava a folia terminar para focar no ano-novo.

Mas a verdade é que 2 meses do ano já se passaram. Até aqui, será que você já conseguiu colocar alguma meta de ano-novo em prática?

Ler mais, correr x quilômetros, dedicar-se a atividade y, ter uma rotina equilibrada de alimentação, gastar menos, estudar mais, comprar apenas de marcas que você conheça a produção... Viajar para tal lugar, ligar todos os dias para a sua mãe, controlar a ansiedade, reclamar menos... Trabalhar mais, realizar z coisas, cuidar de outras z atividades... Encontrar o seu objetivo de vida. Enfim. 

Eu sempre acreditei que estabelecer objetivos e planejar uma rotina me ajudariam a ter uma vida mais feliz. Mas desde que parei para pensar sobre o significado de “autocuidado”, entendi que nem sempre a gente sabe lidar com as nossas próprias metas (leia-se autocobrança).

Como entender o que é uma meta, o que priorizar ao longo do ano e como realizar cada um de nossos objetivos? São muitos os questionamentos, mas a única certeza é que é preciso começar de algum lugar.

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1. Defina metas objetivas

A gente gosta de pensar que uma meta é apenas um resultado. Mas ela vai além. É importante você entender o propósito de cada uma das metas que você se propõe.

Para estabelecer uma meta, o primeiro passo é ter clareza de qual aspecto de sua vida está envolvido naquela decisão. Uma meta sempre surge de uma insatisfação com algo. O primeiro movimento sempre será ter um olhar para sua vida como um todo e entender onde estão os pontos de incômodo. Será o seu trabalho? Os seus relacionamentos? O seu desenvolvimento pessoal?  

Permita-se se conhecer e perceber o que você quer transformar ou melhorar, e não apenas por que você está seguindo caminhos e padrões que lhe foram impostos. 

2. Divida essas metas ao longo dos meses ou semanas

Depois de ter uma maior clareza de quais são os seus objetivos, e o motivo pelos quais eles são importantes (ou seja, os seus propósitos), é chegada a hora de um novo movimento: entender quais são as suas prioridades.

E isso também significa fazer um exercício de reflexão para entender o que cada um está disposto a dedicar para alcançar uma meta. Todo mundo sempre quer mudar ou melhorar em um milhão de coisas, mas fica mais fácil se a gente dividir nossos objetivos por etapas. 

A pergunta é simples e honesta: o que eu estou disposto a fazer?

Por exemplo, se o meu objetivo é economizar parte do meu salário para conseguir mudar de apartamento, é mais fácil começar com uma poupança de 5% e ir aumentando mensalmente até conseguir poupar 30%. Nesse período, vou estudar quais são os gastos que eu vou precisar cortar na minha rotina para poupar o meu salário.

Convenhamos, começar diluindo uma meta torna o objetivo mais próximo do que a cobrança de ter que realizá-la inteiramente em um curto espaço de tempo.

Gosto muito do exemplo de que concluir um objetivo é tipo treinar para uma maratona.

A nossa resiliência será testada todos os dias. Para isso, é preciso treinar não só a nossa velocidade, mas a nossa capacidade de resistência. E isso é mais fácil se a gente for aos poucos, respeitando os nossos limites. Do que adianta ser o mais rápido se não conseguir chegar até o final?

3. Coloque no papel

Este ano experimentei algo que até então não tinha feito. Em um caderno pessoal, separei duas páginas em branco. Na primeira, coloquei no papel todos os meus objetivos para 2019, pessoais e profissionais. A página ao lado foi dividida em 12 meses. A estratégia é, ao final de cada mês, preencher o que eu fiz naquele período que me aproximou dos meus objetivos para o meu ano.

Por exemplo, me inscrevi em uma prova de corrida que vai durar 21 km e coloquei como um objetivo do ano terminar essa prova. Em janeiro, o primeiro passo que me aproximou de realizar esse objetivo foi começar a correr. Já em fevereiro, o segundo movimento foi buscar uma ajuda profissional para adequar os meus treinos. Para março, o objetivo será cumprir a planilha de corridas que o treinador me enviar. E assim por diante.

No meu caso, ter a visualização do objetivo final e tudo o que eu fiz até chegar nele, me deixa tranquila e me faz permanecer com o meu compromisso ativo. Afinal, quer coisa mais fácil do que simplesmente desistir e colocar um objetivo na gaveta? 

4. Use aplicativos para te ajudar

Apesar de fazer parte de uma geração 100% online, ainda gosto de usar canetinhas coloridas e folhas em brancos para mapear os meus objetivos. 

Porém, recebi a indicação de um aplicativo no estilo journaling (lembra muito um diário daqueles que a gente tinha na adolescência, sabe?) que achei bem interessante.

O app Grid Diary está disponível para Android e iOS. Apesar de ser em inglês, ele é todo customizável e isso é o que tem de mais legal

Divulgação

Mas como funciona? 

Você pode construir um layout padrão que você deve preencher todos os dias ou customizar as perguntas diariamente. A ideia é que você separe um momento do seu dia para refletir como você se sentiu.

As perguntas abrangem vários aspectos da rotina, que vão desde “Você se exercitou?” até “Qual problema te afligiu? Como você encontrou uma solução?”. 

A ideia de mapear os seus hábitos e sentimentos é uma ferramenta não só de autoconhecimento, mas também de autocuidado. Parar um tempo para elaborar emoções e sair do automático faz que a gente se sinta (ou ao menos tenha a ilusão) de estar sob controle em relação às nossas decisões e às nossas vidas. 

5. Esteja preparado para mudar a rota, caso seja necessário

É ilusão achar que você vai dar conta de todas as suas metas em uma semana. Quando falamos em concluir objetivos, estamos falando realmente de um planejamento mais a longo prazo. E o que pode acontecer nesse caminho ao longo de 1 ano? Tudo.

Pode ser que o que você imaginou que era importante para você simplesmente deixe de ser. Ou ainda, pode ser que o cenário mude e você precise rever as suas metas. Pode ser que você ache mais difícil do que você imaginava. Ou mais fácil.

O que a gente precisa ter, então, é um plano de metas que seja vivo. Que possa ser atualizado e não aquela coisa inflexível. A gente precisa adaptar o nosso planejamento à nossa realidade, e não o contrário.

6. Celebre as pequenas conquistas

Essa frase pode parecer papo de autoajuda água com açúcar, mas desde que eu a incorporei na minha vida tenho me sentido bem melhor comigo mesma.

Autocobrança, pressão, medo de falhar ou de não estar à altura da expectativa alheia. Quem nunca, não é mesmo? É por isso que é importante lembrar (e celebrar!) as nossas conquistas, mesmo que elas pareçam pequenas.

Isso significa pensar que você tem mais chances de alcançar 100% da meta se, quando você chegar nos 50%, estiver satisfeito e vibrando pela sua “pequena” vitória. Então, a ideia é que, ao longo do processo, você acompanhe o seu desempenho e celebre a sua evolução.

E isso não é uma desculpa para justificar a preguiça ou a zona de conforto.  É óbvio que a ambição, de forma equilibrada, nos incentiva a superar os nossos limites. O que eu gosto de lembrar é que, para chegar aos 100%, é preciso, sim, passar pelos 50%.

Outra palavra-emoção que parece assustar muita gente por aí: frustração.

Se a meta não foi atingida como planejada, isso quer dizer que nada valeu a pena? Não mesmo. 

Na maioria dos casos, a frustração vem para ensinar algo a gente. As emoções negativas, em geral, trazem aprendizados se estivermos dispostos a olhar para elas. Uma frustração serve para a gente analisar, também, o que poderia ser feito diferente.

Por outro lado, não adianta ficar se martirizando. Se você não alcançou o que você tinha planejado, é mais importante que você siga em frente. É preciso colocar aquilo como encerrado, enxergar que você aprendeu o que precisava aprender e fez o que podia ter feito.

7. Tenha paciência

E é aí que entra outro exercício, e talvez o mais difícil deles: ter paciência e consistência.

Em um mundo online em que os estímulos-respostas são atingidos nos frames de 15 segundos, como se dedicar a um objetivo a longo prazo, cujos benefícios talvez só possam ser sentidos meses depois?

Pois é, eu também não tenho muita resposta para isso. Mas sei que é preciso ter paciência e consistência naquilo que você acredita ser o caminho certo.

A grande questão, para mim, é ter consciência de que a satisfação nunca é plenamente alcançada.

Você deseja A, alcança A e logo depois vai passar a desejar B. Não é isso?

Estudar, passar no vestibular, arranjar um emprego, ser promovido, encontrar um amor-romântico, ter uma casa, ter dinheiro, ter um carro, ter... Enfim. 

Nada contra as etapas da vida. Cada momento tem a sua dor e a sua delícia. Mas concorda que a nossa régua está sempre mudando? Se hoje o que me aflige é x, amanhã será y, e assim por diante.

A paciência (leia-se, também, a inteligênciaemocional) é ter a consciência de que, apesar de os “objetos” mudarem, a gente se conhece o suficiente para saber lidar com as nossas reações.

8. Aproveite o caminho

Alcancei as minhas metas, logo, sou feliz? Veja bem... 

Quando falamos em felicidade, existe uma tendência natural em perseguir o sucesso para ser feliz. E, na lógica que rege a nossa sociedade, muitas vezes o sucesso está atrelado à carreira profissional.

É mais ou menos assim: eu preciso realizar tudo isso aqui que envolve a minha carreira, que é o meu sucesso, e quando eu alcançar isso aqui será ótimo, porque aí eu serei bastante feliz. Então, a felicidade se torna uma espécie de vantagem competitiva que faz as coisas darem certo.

Mas isso não é 100% verdade. Antes de buscar o sucesso, a felicidade está em cuidar de algo muito particular que é o seu bem-estar.

Assisti ao filme Christopher Robin - Um reencontro Inesquecível e uma das frases de um diálogo do ursinho Pooh (sim, o personagem infantil!) ficou na minha cabeça: “I always get to where I’m going by walking away from where I have been.”

E a tradução é  mais ou menos assim: A gente sempre chega aonde estamos querendo ir nos afastando de onde a gente já esteve

Voltando às metáforas da corrida, se você algum dia treinou para alguma prova vai entender a importância dos treinos regenerativos para conseguir melhorar a sua velocidade.

Com esses treinos, você entende que se você não pegar leve com você, você nunca vai conseguir cobrar o seu melhor tempo.E se você não se cobrar, você não consegue se permitir desacelerar.

É assim que você simplesmente acaba preso nesse meio termo nebuloso, lidando com emoções, como a ansiedade, que simplesmente não te levam a lugar nenhum

Ou seja: permita-se pegar leve quando for para ser leve. E dê o seu máximo quando estiver pronto para isso. O que importa é o movimento. As metas são consequências. Faz sentido?

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.