COMPORTAMENTO
19/02/2019 02:00 -03

Autocontrole: Por que ele vai muito além da nossa força de vontade

Uma pesquisa identificou algumas estratégias que podem te ajudar.

akindo via Getty Images
Força de vontade não é o único elemento necessário para autocontrole.

Já estamos em meados de fevereiro e grande parte das pessoas ainda busca estratégias para colocar as suas resoluções de ano-novo em prática.

Muitos desses desejos podem estar ligados a usar menos as redes sociais, economizar dinheiro ou ter uma alimentação mais saudável, por exemplo.

Mas você sabe o que todos eles têm em comum? São mudanças que nos obrigam a abrir mão de um comportamento para nos engajar em atitudes que achamos que devemos ter por serem consideradas mais positivas. 

Engana-se quem pensa, contudo, que esse processo é resultado unicamente de nossa força de vontade.

Uma pesquisa realizada por cientistas comportamentais da Pensilvânia identificou algumas estratégias de autocontrole que podem te ajudar.

O que diz o estudo sobre autocontrole

Segundo Angela Duckworth, professora de psicologia da Universidade da Pensilvânia e uma das autoras do relatório, “as tentações estão mais disponíveis, mais criativas e mais baratas do que nunca.”

“O fast food fica mais gostoso e barato a cada ano. Há videogames, mídias sociais, algoritmos. Paralelamente, há questões de políticas públicas, como obesidade, que são reflexos muito maiores de nossa dificuldade de ter autocontrole.”

Publicado na revista acadêmica Psychological Science, o estudo observou que uma das razões pelas quais as pessoas tendem a falhar em suas resoluções é “a ingenuidade sobre as limitações da abordagem que coloca tudo na conta da ‘força, foco e fé’”.

Para o relatório, tudo depende da meta a ser atingida.

Em alguns casos, a melhor estratégia é criar incentivos ou obstáculos que nos ajudam a colocar o autocontrole em prática. Pode ser usar aplicativos que restringem o uso do telefone ou estabelecer a regra de não comprar guloseimas para casa em dias de semana.

No entanto, há casos em que é mais eficaz mudar a forma como pensamos sobre determinada situação.

Por exemplo, coloque no papel os prós e os contras de ter aquele chocolate na gaveta do escritório todos os dia caso você esteja focado em melhorar os hábitos alimentares.

Se o doce está disponível, então o que isso te leva a fazer? Comer chocolate todos os dias? Faça um plano, nem que seja mental, e perseverar em seu objetivo se torna mais atraente e mais fácil.

Outras estratégias funcionam melhor quando uma outra pessoa, que não nós mesmos, é a responsável. Pense em questões ambientais, por exemplo. Se as instituições pudessem dispor de ferramentas para provocar uma maior conscientização, seja expondo o nosso gasto de energia ou o quanto produzimos de lixo anualmente, isso teria um grande impacto.

Por outro lado, os formuladores de políticas públicas poderiam pensar em  incentivos — por exemplo, descontos em impostos para produtos sustentáveis — e até penalidades — como o aumento de impostos sobre cigarros e álcool —, que refletissem em melhores hábitos para a sociedade. 

Para os autores do estudo, a revisão dessas práticas é uma oportunidade de refletir sobre o valor do autocontrole e o seu significado.

“Há uma necessidade urgente de uma ciência que acumule informação e incorpore insights tanto comportamentais, quanto de outras esferas, como a economia. Esperamos que esse relatório seja um passo nessa direção”, compartilha Duckworth.