POLÍTICA
19/02/2019 15:09 -03

Áudios divulgados pela Veja mostram que Bebianno e Bolsonaro conversaram

Mas afinal: áudio de WhatsApp configura ou não uma conversa?

ASSOCIATED PRESS

Áudios de WhatsApp trocados entre o presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e divulgados nesta terça-feira (19) no site da revista Veja mostram que os dois conversaram no dia 12 de fevereiro - o que o vereador Carlos Bolsonaro e o próprio presidente negaram no dia seguinte. Bebianno foi exonerado do cargo na última segunda (18).

Pelo Twitter, Carlos divulgou na última quarta (13) que era “mentira absoluta” que Bebianno havia conversado com seu pai na véspera, enquanto ele ainda estava no hospital. Isso tudo ocorreu em meio à revelação de um escândalo de candidaturas laranja do PSL durante as eleições, que envolve Bebianno.

“Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão”, diz Bebianno num áudio enviado a Bolsonaro depois que foi chamado de mentiroso por Carlos.

Os três áudios a que Bebianno se refere foram publicados pela Veja. No primeiro, Bolsonaro critica o então ministro por ter programado receber no Planalto o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. “Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história (…) Cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final”, diz o presidente.

No segundo e no terceiro, Bolsonaro questiona uma viagem de Bebianno e dos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) ao Pará, para discutir projetos na Amazônia. A viagem foi antecipada em nota pelo O Antagonista. “Essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”, finaliza o presidente.

Do dia 12, não foi revelado nenhum áudio gravado por Bebianno.

 

‘O senhor está bem envenenado’

Os demais 9 áudios publicados pela revista mostram já a discussão que se seguiu depois que Carlos e Bolsonaro disseram publicamente que Bebianno mentiu.

“Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele [Carlos] não pode atacar um ministro dessa forma”, disse Bebianno em um deles.

Bolsonaro então responde: “[Dizer] que usou do Whatsapp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você”.

O presidente também acusa Bebianno de ter passado ao Antagonista uma nota sobre Bolsonaro não atender ao então ministro enquanto estava no hospital.

“Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente”, disse o presidente em outro áudio.

Nos áudios que vazaram, Bebianno parece não se alterar e questiona várias vezes a razão dos ataques de Carlos a ele, acrescentando que está vendo que Bolsonaro “está bem envenenado” pelo filho.

“Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por que esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”, diz o então ministro.